Archive for Dezembro, 2003

2004…

… Espera por nós! Até lá!

BOM ANO A TODOS!

[851]

4 comments 31 Dezembro, 2003

2003 – ANO DOS “BLOGUES” – AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, são devidos agradecimentos aos “colegas bloguistas” em cujos textos mais me apoiei na preparação da compilação que tive o prazer de apresentar ao longo do mês de Dezembro: António Granado (Ponto Media), Pedro Fonseca (Contra Factos e Argumentos), Elisabete Barbosa (Blog Clipping) e Joaquim Paulo Nogueira e João L. Nogueira (Metablogue); sendo também devido ao “blogue responsável por esta avalanche em que se tornou a blogosfera portuguesa em 2003″: A Coluna Infame.

De seguida, um obrigado a todos aqueles (32!) de que apresentei os respectivos “1º post”, os quais se constituiram indubitavelmente num importante factor enriquecedor do levantamento complementar apresentado; permito-me um agradecimento especial ao João Pereira Coutinho (pela prontidão com que me “disponibilizou” o seu primeiro texto).

Um agradecimento muito especial ao Vitor Marques (A Verdade da Mentira), o “comentador” mais assíduo, que teve um importante papel de incentivo, contribuindo para um maior e mais aprofundado desenvolvimento da pesquisa.

Obrigado também ao Pedro Lomba (Flor de Obsessão), Manuel (Grande Loja do Queijo Limiano), Bruno Martins (Avatares de Desejo) e Nelson (Desblogueador de Conversa), pela atenção dispensada.

Finalmente – esperando não me ter esquecido de ninguém … -, agradecimentos especiais a quem de forma tão elogiosa se referiu a esta despretensiosa compilação de textos: Catarina Campos (100nada), Carla Hilário de Almeida (Bomba Inteligente), “Waldorf” (Blogue dos Marretas), Nuno Mota Pinto (Mar Salgado), Rui Branco (Adufe), J. (Cruzes Canhoto), Luís Ene (Ene Coisas), Martin Pawley (Dias Estranhos – Galiza), César Valente (Carta Aberta – Brasil), Edgar (4ª Ferida Narcísica), Evaristo Ferreira (Abrangente), Nuno (Janela para o Rio) e (em tempo) Paulo (Dias que Voam).

“Bem hajam”!

[850]

3 comments 31 Dezembro, 2003

2003 – ANO DOS “BLOGUES” (XXXII)

A 6 de Novembro, Rui Branco (Adufe) e Cláudia e Alecrim (Flores do Campo) criam a BLOGA! – Blogólicos Anónimos: “Junte-se a outros blogólicos, fale com eles, discuta conteúdos, decifre-lhes a fisionomia, reforce as amizades, desça à terra partilhando os seus sonhos e ânsias blogosféricas! Faça do seu vício algo virtuoso, desdramatize-o, ponha-o a .jogar. a seu favor!”

Ainda em Novembro, a 17, Paulo Querido lança a ideia: “Vamos eleger os blogs portugueses do ano?”, ainda em fase de .maturação..

Depois de uma .falsa partida. no mês de Julho, tem finalmente início, a 22 de Novembro, o Causa Nossa, que reúne um “extraordinário grupo de famosos”: Ana Gomes, Eduardo Prado Coelho, Jorge Wemans, Luís Nazaré, Luís Osório, Maria Manuel Leitão Marques, Vicente Jorge Silva e Vital Moreira.

A finalizar, parece-me que não poderia encontrar melhor referência para concluir esta viagem por este .admirável mundo novo., que o texto de Manuel António Pina, na revista Visão de 18 de Dezembro:

.Entretanto tenho ultimamente frequentado a blogosfera. … A blogosfera é o lugar onde hoje melhor se escreve e se pensa em português. . E o facto de a maior parte dos blogues ser, julgo, escrita por gente com menos de 30 anos justifica uma réstia de esperança no futuro..

Desta forma se conclui, ao fim de um mês . em que fui apresentando alguns textos sobre a evolução deste fenómeno dos .blogues. . um modesto contributo para que um dia se possa fazer uma .história da blogosfera em Portugal..

[849]

2 comments 31 Dezembro, 2003

1º .POST. . JPCOUTINHO.COM – DIÁRIOS . 30.10.2003

.CHEGA DE SAUDADE. Os Diários começam agora. Eu sei que demorei. Nada disto é fácil. Foi preciso reunir três incomparáveis génios da computação e assaltar o banco.

Tudo tratado. O Pedro estruturou a coisa. A Marlene desenhou a coisa. O Hélder caricaturou o coiso. E eu, penhorado, fugi para parte incerta. Prometi apenas escrever.

Diariamente. Ninguém falou em pagamento. Pagamento? Tenham vergonha na cara. Isto é arte. A arte deve ser o avesso das mesquinhas questões mundanas. Os filistinos nunca aprendem. Nem eu.

Obrigado por terem vindo. Façam o favor de entrar. Não se assustem com o cão. À vossa esquerda, os pecados. À vossa direita, as virtudes. Faz sentido: pecados para a esquerda, virtudes para a direita. Eu juro que foi totalmente involuntário. Não se ria, dr. Sigmund. E de hoje em diante, pecados e virtudes, devidamente alternados.

De que tratam estes Diários? Como o nome indica, dos dias do plumitivo. Os meus. Os vossos. Não existem diários privados. Eu sei, eu sei: podemos citar dezenas de exemplos. Mas citamos dezenas de exemplos precisamente porque são exemplos públicos. Fim de conversa. Melhor abreviar a missa e passar directamente ao ataque. Eu acredito na posteridade. Mas a minha posteridade será triste. Larvas e bichos. Viúvas carentes. Amantes recentes. Uma prole alargada a discutir a paternidade. A Associação Portuguesa de Escritores a esgadanhar-se de remorsos. Maria Gabriela Lençol a murmurar: «ele até era bom moço…». O melhor é aproveitar. Já. Para ler. Escrever. Rir. Chorar. Fustigar. Ser fustigado. São as linhas da minha rotina. Prometo controlar-me. Mas se algum filho da puta sair das marcas, eu juro que
[Peço imensa desculpa ao auditório. Não volta a acontecer.]

De modos que: cinco dias por semana. Dias úteis. Dias inúteis. De segunda a sexta. Prometo abrir a alma – a alma – e comentar o mundo. Que será, no essencial, o meu. Não é uma questão de vaidade. É uma questão de fé: espalhar a Palavra pelos incréus é tarefa que me coube em vida. Aceito com resignação e cumpro com esperança. Todos temos contas a prestar a Deus no Dia do Juízo Final. Eu procurei abreviar caminho e passarei a prestar contas ao auditório neste Juízo Final – canto inferior direito, com actualização diária. Ou quase. Não se acanhem. Não se excitem. Não se macem.

Segunda estou de volta para começar a trabalhar. No duro. Até lá, passem a palavra. E, por favor, tenham medo, tenham muito medo. Um cronista sem reputação é como um político que diz a verdade. Não. Faz. Sentido.”

E assim, com .chave de ouro., se fecha este ciclo de .1º Post. (iniciado com .A Coluna Infame.) que, ao longo deste mês, tive o grande prazer de conhecer, apresentar e recordar.

[848]

31 Dezembro, 2003

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO . DO LADO DE SWANN (III)

“De entre todos os modos de produção do amor, de entre todos os agentes de disseminação do mal sagrado, efectivamente este grande sopro de agitação que por vezes passa sobre nós é um dos mais eficazes. Então está a sorte lançada, o ser com que nos recreamos em determinado momento é o que iremos amar. E nem sequer é preciso que nos tenha agradado até então mais ou tanto como outros. O que é necessário é que o nosso gosto por ele se torne exclusivo. E essa condição é realizada quando – nesse momento em que ele nos fez falta – a busca dos prazeres que o seu encanto nos dava foi bruscamente substituída em nós por uma necessidade ansiosa, que tem por objecto aquele mesmo ser, uma necessidade absurda, que as leis deste mundo tornam impossível de satisfazer e difícil de curar – a necessidade insensata e dolorosa de o possuir.

Só ia a casa dela à noite, e nada sabia de como ela ocupava o seu tempo durante o dia, nem do seu passado, a tal ponto que lhe faltava até aquela pequena informação inicial que, permitindo-nos imaginar o que não sabemos, nos dá vontade de o conhecer. Por isso, não se interrogava acerca daquilo que ela faria, nem do que teria sido a sua vida. Sorria apenas às vezes ao pensar que alguns anos antes, quando não a conhecia, lhe haviam falado de uma mulher, que, se bem se recordava, devia ser por certo ela, como de uma cortesã, de uma mulher tida por conta, uma daquelas mulheres a quem atribuía ainda, porque pouco vivera em contacto com elas, o carácter integral e essencialmente perverso, de que por longo tempo as dotou a imaginação de certos romancistas. Dizia de si para si que muitas vezes há apenas que seguir no sentido contrário ao das reputações que o mundo cria para avaliar exactamente uma pessoa, quando a um carácter assim contrapunha Odette, boa, ingénua, inflamada de ideal, quase tão incapaz de não dizer a verdade que, tendo-lhe pedido um dia, para que ele pudesse jantar a sós com ela, que escrevesse aos Verdurin a dizer que estava doente, no dia seguinte a vira diante da senhora Verdurin, que lhe perguntava se estava melhor, corar, balbuciar e reflectir na cara, sem querer, o desgosto, o suplício que lhe era mentir, e, enquanto multiplicava na resposta os pormenores inventados da sua pretensa indisposição da véspera, parecer pedir perdão com os seus olhares suplicantes e a sua voz desolada pela falsidade das suas palavras.”

[847]

31 Dezembro, 2003

UNIÃO EUROPEIA – 1999

A 1 de Janeiro, a Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e Portugal adoptam o Euro como moeda oficial.
Romano Prodi é nomeado Presidente da Comissão.
Em Abril, o Conselho adopta uma acção comum relativa ao apoio, ao acolhimento e à repatriação voluntária dos refugiados, pessoas deslocadas e requerentes de asilo, incluindo as pessoas que fugiram do Kosovo.
A 1 de Maio, entra em vigor o Tratado de Amsterdão.
Em Julho, realiza-se em Bruxelas uma reunião dos ministros dos negócios estrangeiros dos quinze Estados-Membros da União Europeia, dos dez países candidatos da Europa Central e Oriental, de Chipre, de Malta e da Suíça.
Em Dezembro, o Conselho Europeu, reunido em Helsínquia (Finlândia), decide abrir negociações de adesão com a Bulgária, a Eslováquia, a Letónia, a Lituânia, Malta e a Roménia, bem como reconhecer a Turquia como país candidato. Decide igualmente convocar para Fevereiro de 2000 uma Conferência Intergovernamental para a revisão dos Tratados.

[846]

31 Dezembro, 2003

1999 . EURO

.A 1 de Janeiro, entra em vigor a paridade do escudo em relação ao euro, moeda que só começará a circular em 2002 ..

E assim, ao fim de uma “maratona” de 5 meses de “entradas” com alguns dos principais factos, termina esta “viagem” pelo século XX – textos com origem em publicação dos jornais do “Grupo Lusomundo”, de Julho de 1999, denominada “Notícias do Milénio”

P. S. Novos agradecimentos, ao Mendiz e El Coronel.

[845]

31 Dezembro, 2003

1999 . GUERRA NO KOSOVO

.O presidente jugoslavo, Slobodan Milosevic, recusa as condições que lhe impõem para a paz no Kosovo (província sérvia de maioria albanesa). Em consequência, a NATO procede ao bombardeamento sistemático da Jugoslávia. Milhares de kosovares buscam refúgio em diversos países..

[844]

31 Dezembro, 2003

2003 – ANO DOS “BLOGUES” (XXXI)

Também a 30 de Outubro, João Pereira Coutinho inicia uma nova página na Internet, chamada “JPCoutinho.com . Diários“, com um conceito algo diferente da .típica. página de .blogues. (consumando-se assim o regresso da totalidade dos membros fundadores de .A Coluna Infame.): .À vossa esquerda, os pecados. À vossa direita, as virtudes. Faz sentido: pecados para a esquerda, virtudes para a direita… E de hoje em diante, pecados e virtudes, devidamente alternados. De que tratam estes Diários? Como o nome indica, dos dias do plumitivo. Os meus. Os vossos. Não existem diários privados.. E, mais adiante: .De modos que: cinco dias por semana. Dias úteis. Dias inúteis. De segunda a sexta. Prometo abrir a alma – a alma – e comentar o mundo. Que será, no essencial, o meu…..

A 4 de Novembro começa a funcionar uma nova plataforma portuguesa de edição de .blogues.: Blogs.sapo.pt, juntando-se nomeadamente ao Weblog.com.pt (impulsionado por Paulo Querido). Nesta nova plataforma, viriam a destacar-se nomeadamente os seguintes blogues: Espigas ao vento (entretanto suspenso) e Icosaedro (vidé textos apresentados a 22 de Dezembro sobre os .blogues. instalados nesta plataforma).

Esta “viagem pela blogosfera” ficaria incompleta se não referisse uma outra plataforma, com características particulares: o Livejournal (cuja apresentação me foi feita pelo Mário Pires . Retorta), com o seu .espírito. de comunidade, organizado em .círculos., por afinidade ou centros de interesse; para se aceder à plataforma, é necessário um código, o qual era geralmente fornecido por alguém amigo ou conhecido, já integrado na .comunidade., o que determinou muito da sua .sociologia..

Existindo um pouco .à margem do circuito regular das citações do sistema blogger ou weblog., não deixa, obviamente, de compreender muitas páginas de grande interesse (numa das próximas semanas, apresentarei referência mais detalhada aos .blogues. residentes neste sistema).

Como me foi apresentado pelo Mário Pires, .uma das características do Livejournal (LJ) é a possibilidade de criação de uma página com todos os blogues de que gostamos, onde as entradas estão dispostas cronologicamente; quando definimos um outro utilizador do LJ como “friend” estamos a adicionar os seus posts a essa página; o sistema de friends também permite níveis de privacidade varados no LJ, podemos colocar entradas visíveis apenas para nós, outras para todos os utilizadores definidos como friends, apenas visíveis por alguns ou apenas um friend e as entradas públicas visíveis por todos., sendo .a popularidade definida pelo número de pessoas que nos definiram como friends. e, finalmente, .tendo sido pensado por adolescente e criado para adolescentes, é um sistema que favorece os post “ligeiros” e a diarística mais comum, um post popular é um mini-forum / chat..

[843]

1 comment 30 Dezembro, 2003

1º .POST. . BARNABÉ . 10.09.2003

.O que é que tem o Barnabé?

O que é que tem o Barnabé?
O Barnabé é um blogue sobre política e cultura. O Barnabé não é um blogue intimista. O Barnabé é tão Narciso como os outros, mas tem vergonha na cara. O Barnabé é um blogue pós-narcisista.
O Barnabé é um blogue de esquerda e heterodoxo. O Barnabé não é um albergue espanhol. É um hotel de seis estrelas.
O Barnabé não é paroquial e acompanha os debates internacionais.
O Barnabé é laico, republicano e há mesmo quem seja socialista. Há até um anarquista.
O Barnabé não está com meias medidas. Defende nem mais nem menos do que a redistribuição das riquezas à escala mundial. O Barnabé considera a Internet uma dessas riquezas e age, no cantinho que é o seu, pela partilha dos extraordinários recursos e conhecimentos que ela pode oferecer.
O Barnabé procura a polémica entre blogues, entre colunistas de jornais e entre os seus próprios criadores. O Barnabé ameaça com a mão e dá com o pé. O Barnabé não é simpático. Não é nem do Belenenses nem da Académica.
O Barnabé é plural. O Barnabé não tem entre os seus participantes neo-conservadores, testemunhas de Jeová e munícipes de Felgueiras.
O Barnabé é diferente dos outros. Não será lido por mais de cem pessoas, e fará tudo para dar nas vistas, entrará em polémica com Pacheco Pereira.
Os pais do Barnabé têm mais ou menos a idade do Barnabé . alguns são mais velhos ., canção de Sérgio Godinho de 1972. São eles:

. Daniel Oliveira é político a tempo inteiro, polemista, bloquista, bloguista, sensacionalista e pai babado.
. André Belo é historiador em fase terminal de doutoramento caótico, escritor anedótico e emigrado neurótico em Paris
. Rui Tavares é historiador em fase comatosa de doutoramento, anarquista, percussionista e voyeurista.
. Pedro Oliveira é historiador, conservador de esquerda, ex-editor da revista .Política Internacional. e em fase vegetativa de doutoramento.
. Celso Martins é jornalista do .Expresso., pai babado mas crítico de arte, professor.
. Rosa Pomar é conhecedora do misterioso mundo do html, ilustradora, tecnológica, pós-moderna e mãe babada.

São quase todos amigos há mais de 10 anos. Discutem violentamente e atacam-se mutuamente. Não são, no entanto, permitidos insultos vindos de pessoas estranhas ao serviço. O email do Barnabé é barnabe@yahoogroups.com..

[842]

1 comment 30 Dezembro, 2003

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO . DO LADO DE SWANN (II)

.Como eu não tinha qualquer noção da hierarquia social, a impossibilidade que há muito o meu pai decidira de que frequentássemos a senhora e a menina Swann, ao fazer-me imaginar entre elas e nós grandes distâncias, tivera antes o efeito de lhes atribuir prestígio a meus olhos. Lamentava que a minha mãe não tingisse o cabelo nem pintasse os lábios, como eu ouvira dizer à nossa vizinha, a senhora Sazerat, que a senhora Swann fazia para agradar, não ao marido, mas ao senhor de Charlus, e pensava que devíamos ser para ela objecto de desprezo, o que me desgostava, sobretudo por causa da menina Swann, que me haviam dito ser uma menina tão bonita e com quem eu sonhava muitas vezes atribuindo-lhe sempre um mesmo rosto arbitrário e encantador. Mas, quando soube nesse dia que a menina Swann era um ser de uma condição tão rara, mergulhada como no seu elemento natural em tantos privilégios que, quando perguntava aos pais se vinha alguém jantar, lhe respondiam com estas sílabas cheias de luz, com o nome desse conviva de oiro que para ela não passava de um velho amigo da família: Bergotte; que, para ela, a conversa íntima à mesa, o que para mim correspondia à conversa da minha tia-avó, eram palavras de Bergotte acerca de todos aqueles assuntos que não pudera abordar nos seus livros, e sobre os quais eu bem gostaria de o ouvir emitir os seus oráculos; e que, por fim, quando ia visitar cidades, ia com ele ao seu lado, desconhecido e glorioso, como os deuses que desciam ao meio dos mortais . então senti, ao mesmo tempo que o valor de um ser como a menina Swann, como eu havia de lhe parecer grosseiro e ignorante, e experimentei tão vivamente a suavidade e a impossibilidade que para mim existiria em ser seu amigo que me enchi ao mesmo tempo de desejo e desespero. Agora, a maioria das vezes, quando pensava nela, via-a diante do pórtico de uma catedral, explicando-me o significado das estátuas, e, com um sorriso que me lisonjeava, apresentando-me a Bergotte como seu amigo. E sempre o encanto de todas as ideias que as catedrais em mim faziam nascer, o encanto das encostas da Ilha de França e das planícies da Normandia, faziam refluir os seus efeitos sobre a imagem que formava da menina Swann; era estar pronto para amá-la”.

[841]

30 Dezembro, 2003

1998 . EXPO.98

.Seis anos depois de ter sido escolhida para acolher a última exposição mundial do século, Lisboa recebe milhões de pessoas e representações de 145 países, construindo para o efeito uma cidade dentro da cidade, com a recuperação urbana da zona oriental. A exposição, consagrada aos oceanos e ao 500º aniversário da chegada de Vasco da Gama à Índia, assenta em quatro edifícios idealizados para o evento: Oceanário, Pavilhão do Conhecimento dos Mares, Pavilhão da Utopia e Pavilhão do Futuro..

[840]

30 Dezembro, 2003

1998 . NOVA PONTE

.Inaugurada a Ponte Vasco da Gama, entre Sacavém e Montijo. É a maior da Europa, tendo custado 180 milhões de contos..

P. S. Novos agradecimentos, ao Abrangente (pela simpática referência) e ao Placard.

[839]

30 Dezembro, 2003

1998 . FOZ CÔA

.Depois de intensa polémica em torno da sua validade, as gravuras rupestres do Côa (posteriormente classificadas pela Unesco como património mundial) são preservadas. Para o efeito, é suspensa a construção de uma barragem naquele local..

[838]

30 Dezembro, 2003

2003 – ANO DOS “BLOGUES” (XXX)

A 30 de Outubro, realiza-se na Sociedade de Geografia, em Lisboa, o Encontro Informal de Blogues, sob o lema .Blogues, moda efémera ou meio de comunicação de futuro?”.

No suplemento .Computadores. do .Público. de 3 de Novembro, Pedro Fonseca relata o ocorrido no Encontro Informal de Blogues de 30 de Outubro, artigo no qual se baseia – para além de outros relatos, nomeadamente os apresentados na página antes referida – o resumo apresentado de seguida.

Foi anunciado o lançamento de uma nova plataforma portuguesa de .blogues.: Blogs.sapo.pt.

Paulo Querido .explicou o que são os .blogues.., falando também da sua experiência com a plataforma Weblog.com.pt.

Pedro Lomba (Flor de Obsessão) afirmou serem os .blogues. um excelente exercício de escrita, uma .disciplina que nos obriga a ir lá todos os dias., defendendo ainda que, mesmo procurando só escrever o que lhe apetece nos jornais, “a imprensa tem um público mais institucional e, num jornal, a liberdade não é total”, além de que certos textos apenas fazem sentido nos blogues.

José Mário Silva (Blog de Esquerda) salientou a necessidade de se guardar alguns destes “retratos do país”. Eles são complemento dos médias tradicionais, “antecipam temas dois ou três meses” antes de a comunicação social atentar neles e dão resposta a uma carência nos espaços de opinião. Por outro lado, há também uma “experimentação da língua” na blogosfera, com “algumas dezenas ou mais de blogues muito bem escritos”.

Pedro Mexia, do Dicionário do Diabo, referiu que: “Um blogue ou uma coluna de opinião é de alguém que tem a presunção – pateta, com certeza – de que tem algo a dizer”, quer ser citado e ter algum retorno comunicacional dos leitores. Por isso, “é necessário descriminalizar essa ideia do sucesso, da audiência.” Lembrando que “um blogue é um ‘hobby’ não remunerado”, Pedro Mexia salientou ainda como conseguiu mais inimigos num único ano a escrever em blogues do que em toda a sua vida.

Mário Pires (Retorta) falou sobre as comunhões que é possível estabelecer na .blogosfera., manifestando o seu desejo que, por exemplo, a fotografia, possa beneficiar de maior interesse e atenção.

João Nogueira, do Socioblogue, colocou em causa a meritocracia que Pedro Lomba afirmava entrever na blogosfera, assinalando a existência de .blogues muito bons que ninguém lê..

P. S. Pode também ver excelentes fotos do “Encontro”, pelo Mário Pires, no Retorta: aqui, aqui e aqui.

[837]

2 comments 29 Dezembro, 2003

1º .POST. . GRANDE LOJA DO QUEIJO LIMIANO . 01.09.2003

.Caros Bloguistas, blogueiros…..

Como já repararam este é um blogue diferente. Primeiro, porque é diferente; segundo, porque não é igual aos outros; terceiro, porque não venho para aqui escrever sobre tudo e sobre nada; quarto, porque nem sempre escrevo.

Por isso mesmo, este blogue está já no top 10 dos blogues mais vistos, lidos e relidos em todo o mundo. Daí que brevemente haverá alterações de fundo – Mais colunistas, mais informação, mais reflexão.

Haverá um painel fixo de colunistas que será constituído por jornalistas activos e passivos, politicos activos e passivos, cidadãos activos e passivos, homens públicos e homens secretos – também activos e passivos……..

[836]

29 Dezembro, 2003

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO . DO LADO DE SWANN (I)

A fechar o ano, nesta semana, breves excertos do primeiro volume desta grande obra de Marcel Proust, “Em Busca do Tempo Perdido”, recentemente editada em Portugal, com a tradução de Pedro Tamen.

.Durante muito tempo fui para a cama cedo. Por vezes, mal apagava a vela, os olhos fechavam-se-me tão depressa que não tinha tempo de pensar: «Vou adormecer.» E, meia hora depois, era acordado pela ideia de que era de tempo de conciliar o sono; queria poisar o volume que julgava ter nas mãos e soprar a chama de luz; dormira, e não parara de reflectir sobre o que acabara de ler, mas tais reflexões haviam tomado um aspecto um tanto especial; parecia-me que era de mim mesmo que a obra falava: uma igreja, um quarteto, a rivalidade entre Francisco I e Carlos V. Esta crença sobrevivia alguns segundos ao despertar; não me chocava a razão, mas pesava-me nos olhos como escamas, e impedia-os de verificar que a palmatória já não estava acesa. Depois começava a tornar-se-me ininteligível, tal como, após a metempsicose, os pensamentos de uma existência anterior; o assunto do livro soltava-se de mim, e ficava livre de me adaptar ou não a ele; logo recuperava a vista, e ficava muito admirado de encontrar em meu redor uma obscuridade, doce e repousante para os olhos, mas talvez ainda mais para o espírito, ao qual se revelava como coisa sem causa, incompreensível, como coisa verdadeiramente obscura. A mim mesmo perguntava que horas poderiam ser; ouvia o apito dos comboios que, mais ou menos afastado, como o cantar de um pássaro numa floresta, acentuando as distâncias, me descrevia a extensão dos campos desertos onde o viajante se apressa para a próxima paragem; e o estreito caminho para onde segue vai ficar-lhe gravado na memória pela excitação que deve a lugares novos, a actos inusitados, à conversa recente e às despedidas à luz do candeeiro alheio, que o acompanhavam ainda no silêncio da noite, à doçura próxima do regresso..

[835]

29 Dezembro, 2003

UNIÃO EUROPEIA – 1998

Em Março, realiza-se em Londres uma conferência europeia, que reúne os 15 Estados-Membros e os países que solicitaram formalmente a adesão à UE.
A Comissão adopta um relatório sobre a situação em matéria de convergência e recomenda a onze Estados-Membros a adopção do euro, a partir de 1 de Janeiro de 1999.
Em Maio, o Conselho extraordinário decide que onze Estados-Membros preenchem as condições necessárias para a adopção da moeda única em 1 de Janeiro de 1999. A Comissão e o Instituto Monetário Europeu especificam as condições para a fixação das taxas de conversão irrevogáveis do euro.
Os governos dos Estados-Membros adoptam a moeda única e nomeiam, de comum acordo, o presidente, o vice-presidente e os outros membros da Comissão Executiva do Banco Central Europeu. Em Junho, é instituído o Banco Central Europeu.
Em Dezembro, o Conselho adopta as taxas de conversão fixas e irrevogáveis entre as moedas nacionais dos onze Estados-Membros participantes e o Euro.

[834]

29 Dezembro, 2003

1998 . NOBEL DA LITERATURA

.A Academia Sueca distingue, pela primeira vez, um escritor de língua portuguesa com o Prémio Nobel da Literatura. O contemplado é José Saramago, já distinguido com o Prémio Camões em 1995, autor de uma vasta obra de ficção singularmente escrita sobretudo a partir dos 60 anos. Antigo jornalista, o Nobel da Literatura exerceu, em 1975, o cargo de subdirector do .Diário de Notícias…

[833]

29 Dezembro, 2003

1998 . .RELAÇÃO IMPRÓPRIA.

.O caso Bill Clinton – Monica Lewinsky coloca o presidente dos EUA perante o risco da destituição, devido à confessada .relação imprópria. com uma estagiária da Casa Branca. O escândalo é explorado pelos adversários do presidentes, mas sem o afectar politicamente..

[832]

29 Dezembro, 2003

Previous Posts


Autor – Contacto

Leonel Vicente - mvirtual@gmail.com

Feeds

Calendário

Arquivos

Meta

NOTAS IMPORTANTES

1. Este “blogue” tem por objectivo prioritário a divulgação do que de melhor vai acontecendo em Portugal e no mundo, compreendendo nomeadamente a apresentação de algumas imagens, textos, compilações / resumos com origem ou preparados com base em diversas fontes, em particular páginas na Internet e motores de busca, publicações literárias ou de órgãos de comunicação social, que nem sempre será viável citar ou referenciar.

Convicto da compreensão da inexistência de intenção de prejudicar terceiros, não obstante, agradeço antecipadamente a qualquer entidade que se sinta lesada pela apresentação de algum conteúdo o favor de me contactar via e-mail (ver no início desta coluna), na sequência do que procederei à sua imediata remoção.

2. Os comentários expressos neste "blogue" vinculam exclusivamente os seus autores, não reflectindo necessariamente a opinião nem a concordância face aos mesmos do autor deste "blogue", pelo que publicamente aqui declino qualquer responsabilidade sobre o respectivo conteúdo.

Reservo-me também o direito de eliminar comentários que possa considerar difamatórios, ofensivos, caluniosos ou prejudiciais a terceiros; textos de carácter promocional poderão ser também excluídos.

Webstats4U - Free web site statistics Personal homepage website counter
Free counter Counter
Free Hit Counter Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Memória Virtual Leonel Vicente Leonel Vicente --> _uacct = "UA-530518-6"; urchinTracker();