Archive for Novembro, 2004

SEM SURPRESAS

Não seria necessário um complexo exercício de futurologia para adivinhar o que iria acontecer.

A 29 de Junho, aqui tinha escrito:

Ou será que alguém tem dúvidas que um Governo chefiado por um Primeiro-Ministro “indigitado” no seio de um partido, na actual conjuntura política e económica portuguesa será um Governo a (curto) prazo? Que seria adiar… o inadiável?”

E, a 9 de Julho:

Continuo a pensar que o novo Governo dificilmente terá sólidas condições para governar em estabilidade (o princípio essencial no qual se baseou a decisão). O novo Governo estará condicionado – viverá “espartilhado” – por um conjunto de factores cuja gestão será de grande complexidade: desde a necessidade de “agradar” aos portugueses, numa perspectiva de curto prazo; passando pelo estreito “controlo” que sobre ele impenderá da parte do Presidente, sempre com a “ameaça” da dissolução qual “espada de Dâmocles”; terminando numa conjuntura em que a crise não está ainda debelada…”

Pedro Santana Lopes não surpreendeu, nem positiva nem negativamente: limitou-se a uma actuação perfeitamente errática que o tem caracterizado ao longo dos tempos, sem qualquer linha de rumo ou orientação estratégica, entrando em contradição com os seus ministros, provocando o afastamento das principais figuras do seu próprio partido.

Ainda ontem, aqui escrevi que o actual “desgoverno” por que Portugal passa, parecia ter, ao que tudo indicava, os dias contados…

Foi apenas o culminar de uma situação que não era já, de todo, sustentável.

[1853]

30 Novembro, 2004

MOZART – OBRA (III)

Óperas

Mozart foi o maior compositor de ópera da sua época. Desde a sua juventude começara a trabalhar nas óperas “menores”, de que se destacam Mitridate, Lucio Silla, O Rei Pastor, Idomeneu e La Clemenza di Tito.

No seu apogeu, comporia o conjunto das óperas “imortais”, incluindo as suas obras culminantes: O Rapto do Serralho, As Bodas de Fígaro, Don Giovanni, Così fan Tutte e A Flauta Mágica, sendo a última considerada uma das mais importantes óperas de todos os tempos.

Concertos

Mozart compôs 27 concertos para piano em toda sua vida, praticamente criando um novo género.

O primeiro concerto para piano de especial destaque foi o número 9, K. 271, composto em 1777, conhecido como Jeunehomme.

Já em Viena, Mozart compunha o Concerto n. 17, K. 453, a que se seguiram mais 14 concertos, escritos entre 1784 e 1786, de que se destacam os números 20, 21, 23 e, o mais famoso de todos, o 24.

Para outros instrumentos, destacam-se os três primeiros concertos para violino (em particular o terceiro, K. 216), o quarto concerto para trompa, K. 495, o Concerto para Flauta e Harpa, K. 299, o Concerto para Flauta no. 1, K. 313, o Concerto para Fagote, K. 191, e o Concerto para Clarinete, K. 622.

[1852]

30 Novembro, 2004

“BLOGOSFERA” EM 2004

Escreveu Pacheco Pereira no “Público” (em 17 de Julho de 2003, a propósito do “Arquivo da Internet”, referindo que «A blogosfera devia ter um “depósito obrigatório” imediato»):

«Os blogues, enquanto formas individualizadas de expressão, originais e únicas, são uma voz imprescindível para se compreender o país em 2003. Eles expressam um mundo etário, social, comunicacional, cultural, político que, sendo uma continuação do mundo exterior, tem elementos “sui generis”».

Depois de, em 2003, se ter processado a definitiva afirmação dos “blogues”, 2004 seria o ano da consolidação.

A partir de amanhã – e à semelhança do que aqui editei há um ano – iniciarei a apresentação de uma série de textos, a editar diariamente até ao fim do mês de Dezembro, recordando alguns dos passos de maior relevo da “blogosfera” em 2004.

Há 1 ano no Memória Virtual – 2003 – Ano dos “Blogues” (0)

[1851]

30 Novembro, 2004

MOZART – OBRA (II)

Serenatas

A música de entretenimento foi um género recorrente na obra de Mozart, devido principalmente ao período que passou na corte de Salzburgo, em que produziu diversas peças para animação de festas e comemorações várias.

A mais conhecida peça deste género é a Serenata em Sol Maior, K. 525, mais conhecida como Eine Kleine Nachtmusik. São também famosas a Serenata K. 239, Serenata Noturna, e a Serenata K. 250, Haffner.

Música de câmara

As suas maiores obras-primas neste género são seis quartetos, compostos em 1785, de que se destaca o último, K. 465, em Dó Maior, chamado Quarteto Dissonante.

Mozart praticamente inventaria uma formação instrumental: o quarteto com piano, especialmente o K. 478. Por outro lado, compôs também quintetos famosos: o Quinteto de Cordas K. 515 e o Quinteto para Clarinete K. 581.

Música sacra

Mozart, que viveu num Estado papal, Salzburgo, tendo como patrão um Príncipe-Arcebispo, escreveu diversas peças destinadas à liturgia católica, sendo a maior obra deste género, o Requiem, a sua última obra.

Escreveu também duas importantes missas: a Grande Missa em Dó Menor (inacabada) e a Missa da Coroação Ave Verum.

[1850]

29 Novembro, 2004

NÍVEL DE VIDA

Num estudo da revista britânica “The Economist” sobre qual o melhor país para se viver – tendo por critérios o PIB per capita, a saúde / esperança de vida, liberdade política, vida familiar, segurança no trabalho, clima e geografia, estabilidade política, igualdade dos sexos e vida em sociedade – Portugal surge posicionado em 19º lugar, com uma classificação de 7,3 (numa escala até 10), à frente de países como a Bélgica, França, Alemanha e Reino Unido.

Nesta tabela, o primeiro lugar é atribuído à Irlanda (8,3), seguindo-se, até ao 10º lugar, a Suíça, Noruega, Luxemburgo, Suécia, Austrália, Islândia, Itália, Dinamarca e Espanha.

Os EUA surgem apenas em 13º, seguidos do Canadá, surgindo o Japão em 17º lugar. Bélgica, França e Alemanha posicionam-se entre o 24º e 26º lugar, cabendo ao Reino Unido a 29ª posição.

P. S. Obviamente, esta classificação nada tem a ver com o actual “desgoverno” por que Portugal passa, que, ao que tudo indica, parece ter os dias contados…

Há 1 ano no Memória Virtual – Irlanda do Norte – Católicos vs. Protestantes

[1849]

1 comment 29 Novembro, 2004

REVISTA DA SEMANA

Visão (25 Novembro)

“Parlamento ucraniano reconhece fraude – Depois de uma semana de protestos, a oposição ucraniana tem motivos para se congratular: o Parlamento declarou inválidas as eleições presidenciais do último fim-de-semana. Os dois candidatos já anunciaram que aceitam repetir o acto eleitoral.
43 milhões para Guimarães – Um operário têxtil de Serzedelo e um pasteleiro de Conde S. Martinho, em Guimarães vão repartir o maior prémio de lotaria alguma vez atribuído na Europa, no valor de 43 milhões de euros. Foi a primeira vez que o primeiro prémio do Euromilhões ficou em Portugal.
Julgamento segue no Tribunal de Monsanto – A partir da próxima quinta-feira, dia 2 de Dezembro, e durante dois meses, o julgamento do processo Casa Pia vai decorrer no Tribunal de Monsanto. A primeira sessão ficou marcada por questões processuais, sobretudo no que diz respeito às decisões do juiz Rui Teixeira que poderão ser consideradas nulas.
PS de luto – No adeus ao presidente honorário e patriarca dos socialistas Fernando Valle, o secretário-geral, José Sócrates, cancelou toda a actividade do partido para este fim-de-semana. Entre elogios que lhe atribuem, estão «um exemplo de civismo», «um dos símbolos da República», «uma referência da democracia e da liberdade».”

Há 1 ano no Memória Virtual – Outra ordem aparentemente ocidental (V)

[1848]

28 Novembro, 2004

REQUIEM PELAS VÍTIMAS DO FASCISMO EM PORTUGAL

Uma das mais relevantes obras de Fernando Lopes Graça, terá hoje a sua segunda audição nacional, pelas 21h30, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, com a participação de: Coro de Câmara da Universidade de Lisboa; Coral de Letras da Universidade do Porto; Orquestra Nacional do Porto, Marc Tardue, maestro; Ana Paula Russo, soprano; Liliana Bizineche, meio-soprano; Rui Taveira, tenor; Armando Possante, barítono; João Miranda, baixo.

Trata-se de uma oportunidade única, evocando, simultaneamente, o 10º aniversário do desaparecimento do maestro e compositor e o 25º aniversário da composição do Requiem.

Há 1 ano no Memória Virtual – Outono na blogosfera

[1847]

27 Novembro, 2004

MOZART – OBRA (I)

A obra de Mozart traduz o apogeu do estilo clássico, que com ele atinge a mais elevada expressão.

De entre essa vastíssima obra (41 sinfonias, 27 concertos para piano, 5 concertos para violino, 4 concertos para trompas, 1 concerto para flauta, 1 concerto para oboé, 1 concerto para clarinete, 1 concerto para fagote, uma sinfonia para violino, viola e orquestra, 1 concerto para flauta e harpa, 17 divertimentos, 13 serenatas, mais de 100 minuetes, 19 missas, 4 cantatas, 24 óperas, 12 árias de concerto e 50 canções para voz e piano), as suas preferidas foram as óperas, em particular Don Giovanni e Flauta Mágica.

Sinfonias

Mozart escreveu 41 sinfonias, destacando-se, na fase inicial, a Sinfonia n. 25. Outra peça de maior relevo seria a Sinfonia n. 35, Haffner, a primeira composta em Viena, antecedendo as suas mais famosas obras-primas: Sinfonia n. 36, Linz, Sinfonia n. 39, K.543, Sinfonia n. 40, K.550 e a Sinfonia n. 41, Júpiter, considerada a maior de todas.

Música instrumental

O instrumento favorito de Mozart era o piano. Além da Sonata em Lá Menor, K. 331, do famoso Rondó alla Turca, destacam-se as sonatas K. 310 e K. 457; para violino e piano, salientam-se as sonatas K. 454 e 526.

[1847]

26 Novembro, 2004

“PESSOAL E TRANSMISSÍVEL XX-XXI”

O Diário de Notícias – com o apoio da TSF e das Edições ASA – distribuirá, na próxima segunda-feira, o livro “Pessoal e Transmissível XX-XXI”, com uma selecção de entrevistas de Carlos Vaz Marques, entre outros, a: Maria João Pires; Joana Carneiro; António Lobo Antunes; Jacinto Lucas Pires; António Damásio; João Magueijo; Carlos Sousa; Mariana Frutuoso de Melo; Eduardo Prado Coelho; Pedro Mexia; Aníbal Cavaco Silva; Nuno Severiano Teixeira.

(via Jornalismo e Comunicação)

[1846]

26 Novembro, 2004

“A FILHA DO CAPITÃO” (VI)

A “tempestade” final precipitar-se-ia contudo a 9 de Abril de 1918 – data prevista para a rendição dos militares portugueses por tropas inglesas –, em que os alemães lançam um ataque decisivo sobre a frente de batalha a cargo da força portuguesa, no vale do Lys.

Esgotados, desmotivados, sem liderança e, finalmente, sem armamento, desesperando pelo auxílio dos aliados britânicos que acabaria por não chegar em tempo oportuno, os portugueses vêem-se numa situação de absoluta incapacidade para reagir ao ataque alemão; um a um, os militares vão sendo feridos, mortos ou feitos prisioneiros de guerra, o que acontece a Afonso, que assim se vê para sempre separado da sua amada.

Apenas após o armistício de 11 de Novembro de 1918, Afonso, ainda em cativeiro, perceberia que os alemães tinham perdido a guerra, acabando, já em Janeiro de 1919, por vir a ser libertado e a retornar a Portugal.

Regressaria à sua terra, Rio Maior, acabando – depois de perdida a ilusão de poder reencontrar a sua impossível paixão – por casar com a antiga namorada de adolescência.

Teria de esperar ainda 10 anos para fazer uma descoberta que, num regresso a França, com o comovente reencontro com o seu passado, lhe proporcionaria “reviver” a sua antiga paixão, agora projectada numa nova vida.

Uma bela história de amor, através da qual nos é possibilitado conhecer um pouco melhor o mundo, ficar a saber algo mais, sobre a vida num Seminário, num Quartel militar, sobre a Guerra, sobre a História…

Obviamente imperdível!

Há 1 ano no Memória Virtual – Resoluções de Ano Novo

[1845]

26 Novembro, 2004

MOZART (IV)

MozartPermanentemente insatisfeito e em busca de si próprio, Mozart aderiu à maçonaria, entrando como aprendiz em 1784, ascendendo a mestre no ano seguinte.

Entretanto a sua popularidade sofria uma quebra; a ópera As Bodas de Fígaro, estreada em 1786, foi um fracasso financeiro, começando Mozart a experimentar dificuldades financeiras.

Refugiou-se temporariamente em Praga, onde a ópera foi entusiasticamente acolhida, levando à encomenda de outra ópera: Don Giovanni, a qual viria a ter aí grande sucesso, embora, não fosse bem aceite em Viena.

As encomendas reduziam-se e as dívidas de Mozart acumulavam-se, ao mesmo tempo que a fama se esfumava.

Em 1791, recebeu, de um amigo maçon, a encomenda de uma ópera, dirigida ao povo; a história, por meio de um conto de fadas, fazia a apologia da maçonaria e dos seus valores (a busca de si mesmo, a sabedoria e a fraternidade): A Flauta Mágica, a maior obra-prima de Mozart, que viria a resultar num êxito contínuo.

Voltou a ter encomendas, uma delas de um Requiem, por um “homem misterioso”, cuja presença teria aterrorizado Mozart (no filme Amadeus, esse homem é personificado no seu compositor rival: António Salieri, que se julgou ter sido responsável pelo envenenamento de Mozart, embora tal não esteja demonstrado).

Mozart, já bastante doente, ia escrevendo o Requiem nos “tempos livres”, dando mais importância a outras obras. A 5 de Dezembro de 1791, ainda antes de completar 36 anos, morria um dos maiores génios da música de todos os tempos.

[1844]

25 Novembro, 2004

APAV

Parece mentira mas não é.
A violência doméstica mata mais
do que o cancro e os acidentes
de automóvel. Só em Portugal
são mais de 10 000 queixas por
ano e, todos os meses, pelo menos
cinco são vítimas fatais.

Muitas mulheres não denunciam
por vergonha, mas a maioria tem medo.
Por isso agora a lei mudou e este
é um assunto de todos.
A violência doméstica é crime público.
Se conhece algum caso, dentro ou fora
da família, pode e deve denunciar.

Mas também pode ajudar divulgando
essa mensagem para o maior número
de pessoas possível. Um minuto
pode ajudar a salvar uma vida.

25 de Novembro – Dia Internacional Contra a Violência Contra as Mulheres

APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima

[1843]

25 Novembro, 2004

“A FILHA DO CAPITÃO” (V)

Até ao dia (20 de Novembro de 1917) em que, integrado no Corpo Expedicionário Português na Flandres, Afonso, sucessiva e fulgurantemente promovido, entretanto já Capitão, se hospeda no castelo do barão Redier, conhecendo então a que se tornara a jovem baronesa Agnès – cuja vida sofrera, em função da guerra, uma alteração radical, passando desde logo pela viuvez e dificuldade em financiar a conclusão dos seus estudos universitários, perdido que estava o contacto com a família, em Lille, para lá das linhas militares alemãs –, por quem se iria “irremediavelmente” apaixonar.

Nos meses seguintes, em paralelo com o desenrolar de uma guerra de trincheiras, e sem poder adivinhar os planos alemães de aproveitar a fragilidade das linhas defensivas a cargo dos portugueses, Afonso e Agnès vão fortalecendo os laços de amor que os unem, também com o envolvimento da jovem no apoio ao corpo militar português, prestando serviço no hospital de campanha.

A narrativa, espraiando-se pela crónica da guerra, abre também espaço para o protagonismo de alguns “heróis”, saindo do anonimato das trincheiras, desde o “Matias Grande”, ao “Vicente Manápulas”, ao “Baltazar Velho” e mesmo o “Abel Lingrinhas”, impelidos para a frente de batalha pelos aliados ingleses, até mesmo na véspera e dia de Natal de 1917.

Há 1 ano no Memória Virtual – APAV

[1842]

25 Novembro, 2004

MOZART (III)

Mozart Mozart seria então, em 5 de Janeiro de 1771, nomeado mestre de capela honorário da Academia Filarmónica de Verona. A 4 de Fevereiro, Mozart deixava Milão; depois de passar por Veneza, Parma e Verona, regressaria a Salzburgo, sendo-lhe encomendada uma ópera para a celebração do casamento do Arquiduque Ferdinand da Áustria.

Em 13 de Agosto de 1771, pai e filho partiram para a segunda viagem italiana, desta vez relativamente curta, de cerca quatro meses; chegado a Milão em 21 de Agosto, Mozart começou a trabalhar na ópera Ascanio in Alba K.111, a qual viria a alcançar grande sucesso.

Em 5 de Dezembro, deixaram Milão, regressando novamente a Salzburgo, onde se demoraram mais 10 meses. Em 4 de Novembro de 1772, retornavam a Milão, dedicando-se à composição de Lucio Silla, estreada a 26 de Dezembro.

Nas suas estadias em Itália, para além de óperas, Mozart dedicou-se também à escrita de sinfonias e dos primeiros quartetos de cordas. Mozart começava a superar a condição de menino-prodígio, assumindo-se como um compositor maduro, capaz de escrever sob todas as formas e estilos musicais existentes.

Em Março de 1773, depois de nova passagem por Salzburgo, regressava a Viena, talvez procurando alcançar um cargo na corte, que não tinha alcançado em Itália.

Em 1777, partiria em nova digressão pela Europa, conhecendo a jovem cantora Aloysia Weber, por quem se apaixonou, não sendo correspondido.

Em 1779, teve de regressar a Salzburgo, actuando novamente na Corte. Voltaria a Viena em 1781, casando, em 1782 com Constanze Weber, irmã de Aloysia.

[1841]

24 Novembro, 2004

JOANA CARNEIRO

A jovem maestrina portuguesa Joana Carneiro, actualmente directora da Orquestra Filarmónica de Los Angeles, regerá a orquestra na próxima cerimónia dos Grammies (conhecidos como os “óscares da música”), a realizar em Fevereiro de 2005.

[1840]

24 Novembro, 2004

“A FILHA DO CAPITÃO” (IV)

Começa por nos ser contada a história da vida de Afonso e de Agnès, em capítulos intercalados, com um ritmo vivo, em que a leitura parece correr a uma velocidade acelerada, tal a ânsia de, rapidamente, “chegar mais à frente” na narrativa.

Da infância “menos do que humilde” de Afonso, à descoberta da capital, Lisboa, numa visita a uma prima afastada, que lhe proporcionaria travar pela primeira vez conhecimento com o “football”, o que viria posterior, mesmo que involuntariamente, a ter uma importância decisiva no seu futuro, ao contribuir para o afastamento da vida de seminarista e a subsequente reorientação para a carreira militar, por via da frequência da Escola do Exército, que lhe seria “imposta” como forma de progressão social que lhe permitisse ser um marido “condigno” da namorada de adolescência.

Ao nascimento de Agnès, numa família burguesa do Norte de França, de origem flamenga, “de posses”, ligada ao comércio de vinhos e à exploração agrícola de uvas para champagne, que lhe proporcionaria a fantástica experiência de visitar a Exposição Universal de Paris, em 1900, conhecendo a famosa Torre Eiffel, edificada 11 anos antes. E, algum tempo depois, a possibilidade de iniciar os seus estudos universitários de medicina em Paris. Passando pelo difícil despertar para a realidade da guerra, em 1914, consequência de um longínquo assassinato de um arquiduque austríaco, em Sarajevo, por um sérvio. Com consequências trágicas para o seu jovem e recente esposo, entretanto alistado no exército.

Há 1 ano no Memória Virtual – Catalunha (I)

[1839]

24 Novembro, 2004

MOZART (II)

Mozart No final de 1764, ainda em Londres, Mozart, com 8 anos, começou a escrever a sua primeira sinfonia: a Sinfonia N.1 em Mi bemol Maior K.16.

Regressado a Salzburgo em 1766, Mozart, que fizera notáveis progressos na ópera, compôs a primeira parte de Die Schuldigkeit des ersten Gebots K.35. Partiria novamente para Viena, em Setembro de 1767; grassava na altura uma epidemia e, apesar de terem desviado o seu rumo para Brno, os irmãos contraíram varíola, apenas regressando a Viena, após um período de recuperação, no início de 1768.

A proposta do Imperador, Mozart, então com 12 anos, começou a escrever uma ópera: La finta semplice K.51/46ª. Levantou-se alguma contestação, pelos instrumentistas e cantores, ao facto de uma criança com 12 anos reger a orquestra, o que levou ao cancelamento da produção e ao regresso a Salzburgo, em Janeiro de 1769, onde seria então estreada a ópera.

O pai de Mozart começava a planear o triunfo na ópera italiana, centrada em Milão, para onde se dirigiram no final de 1769. Mozart daria o seu primeiro concerto em Itália, em Verona, a 5 de Janeiro de 1770, com grande sucesso; chegariam a Milão a 23 de Janeiro.

Aí tiveram como protector o Conde Karl Joseph Firmian, natural de Salzburgo, que os recomendou a importantes figuras de Bolonha, Florença e Roma. Em Fevereiro e Março de 1770, Mozart daria concertos de grande êxito, com a assistência da nobreza de Milão, originando a encomenda da primeira ópera da temporada seguinte: Mitridate, rè di Ponto K.87/74a.

Mozart seria recebido pelo Papa Clemente XIV em 8 de Julho, seguindo depois para Bolonha, chegando a Milão em Outubro de 1770, começando a escrever os recitativos da ópera Mitridate K.87/74a, a qual viria a ser um sucesso, estreando a 26 de Dezembro de 1770.

[1838]

1 comment 23 Novembro, 2004

ANTÓNIO E HANNA DAMÁSIO

António e Hanna Damásio foram recentemente distinguidos, em Paris, com o prémio Jean-Louis Signoret para as Neurociências Cognitivas, sublinhando o contributo do trabalho deste casal de investigadores para os estudos sobre a cognição social.

[1837]

1 comment 23 Novembro, 2004

“A FILHA DO CAPITÃO” (III)

Na minha opinião, José Rodrigues dos Santos arriscou e ganhou.

Ganhou pela diversidade que caracteriza a sua obra, desbravando novos caminhos, enriquecendo o panorama literário português, colocando também a fasquia a um nível bastante elevado.

O seu romance, embora abrangendo um período temporal que intersecta a época tratada por Miguel Sousa Tavares em “Equador” (o reinado de D. Carlos), acaba por ter nesse período o ponto de partida para uma acção que se centra sobretudo na Flandres nos anos de 1917/1918, culminando com o comovente regresso a França em 1928, à (re)descoberta do seu passado.

A envolvente é diferente, assumindo a crueza da guerra de trincheiras um papel fulcral na narrativa, também com um intenso trabalho de reconstituição histórica.

E, não obstante tivesse por “matéria-prima” de trabalho, não o “calor tropical” do Equador, mas antes o frio gélido do Inverno da Flandres, a história não deixa de ser empolgante.

Através de Afonso e dos seus companheiros de armas, superiores hierárquicos e subordinados, é também um retrato de Portugal – de então, como de hoje… – que é esboçado, não deixando sem referência o laxismo, a ausência de orientação estratégica, de liderança e de organização, o alheamento ou desmotivação, o improviso, mas também o voluntarismo e a generosidade.

[1836]

23 Novembro, 2004

MOZART (I)

Mozart Wolfgang Amadeus Mozart (Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus), nasceu a 27 de Janeiro de 1756, em Salzburgo, filho de Leopold Mozart (também músico, compositor de câmara da corte, segundo violinista e, por fim, segundo-mestre de capela) e de Anna Maria Pertl.

Mozart começou a tocar cravo ainda antes dos 4 anos. Segundo conta a “lenda”, Mozart teria composto o seu primeiro concerto para cravo com 4 anos.

Leopold passou a dedicar-se quase na íntegra ao ensino dos seus dois filhos (Amadeus e a sua irmã Nannerl), rapidamente percebendo que tal lhe traria recompensas. Logo resolveu fazer uma viagem para apresentar os seus “prodígios”, deslocando-se a Munique, ainda antes de Mozart completar 6 anos (no início de Janeiro de 1762), tocando para o Príncipe-Eleitor da Baviera. Seguiu-se, em Outubro de 1762, um destino mais ambicioso: Viena, tendo os pequenos Mozart dado concertos perante vários membros da nobreza.

Após algumas semanas, despertariam a curiosidade da família imperial, tendo sido convidados para actuar em 13 de Outubro; causariam óptima impressão, deixando espantada a audiência. A partir daí, passaram a tocar quase diariamente para a nobreza vienense.

Em 31 de Dezembro, os Mozart partiram de Viena, regressando a Salzburgo em 5 de Janeiro de 1763, altura em que Mozart adoeceu, com febre reumática. Em Junho, iniciaram nova expedição, passando por Munique, Paris (Março de 1764), Londres (Abril) e Amesterdão (início de 1766), sempre com grande êxito junto das casas reais; esta viagem prolongar-se-ia por mais de três anos, passando por mais de 80 cidades.

[1835]

22 Novembro, 2004

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