Archive for Dezembro, 2004

2005

Espera por nós…
Votos de um óptimo ano de 2005 a todos!
Até lá!

1 comment 31 Dezembro, 2004

MENSAGEM (V)

Vasco da Gama realizou a extraordinária façanha, o grande objectivo dos Descobrimentos: a conquista da Índia por via marítima (“Os Deuses da tormenta e os gigantes da terra / Suspendem de repente o ódio da sua guerra / E pasmam”).

Este empreendimento teria naturalmente custos significativos, causando grandes sofrimentos, com muitas vidas perdidas:

“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!”;

mas valeu a pena?:

“Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem de passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu”.

O desastre de Alcácer Quibir, o mistério que envolve o desaparecimento de D. Sebastião deverá ser o impulso para o renascimento de Portugal:

“Não sei a hora, mas sei que há a hora,
Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mistério.
Surges ao sol em mim, e a névoa finda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Império”.

Seguiu-se a perda da independência (“Senhor, a noite veio e a alma é vil”), mas é preciso acreditar que é possível renascer:

“Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda”.


 (“Republicação”)

[1919]

31 Dezembro, 2004

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXXI)

A 17 de Dezembro, Paulo Querido anuncia o primeiro caso de pedido de informação por parte de um tribunal relativamente a um conteúdo do weblog.com.pt.

Também em Dezembro, e no espaço de poucos dias, o jornal “Público” edita dois artigos, baseando-se em “entradas de blogues”, sem contudo referir as fontes. A 26 de Dezembro, Joaquim Furtado aborda a questão, em “A Coluna do Provedor do Leitor: Copyright na Net“, concluindo:

“O jornal cometeu, em conclusão, dois erros, reconheceu-os nas suas páginas como era, aliás, seu dever, deixando claro quais deveriam ter sido os procedimentos correctos. O processo de reflexão interna produzido pelos responsáveis do jornal e exposto nesta coluna, responde à transparência reclamada pelo leitor.”

A fechar esta resenha sobre a “blogosfera” em 2004, que melhor final do que esta sensacional “entrada” (“Exposição de Coelhos Suicidas“) de João Pedro da Costa, nas Ruínas Circulares (há por lá muitas outras “entradas” a admirar!…):

“Sejam bem vindos à exposição dos Coelhos Suicídas na Galeria de Arte AS RUÍNAS CIRCULARES. O meu nome é João Pedro da Costa e irei ser o vosso guia durante a visita. Peço o favor de desligarem os telemóveis e de guardarem eventuais perguntas ou comentários para a caixa que estará à vossa disposição no final da visita. Lembro igualmente que, nesta galeria, podem fumar à vontade, que não faltam por aí cinzeiros. (Se tenho lumes? Claro. Ora, com licença. De nada).

Para os que não sabem, a presente exposição reúne os trabalhos enviados pelos leitores de um certo blog, tendo por mote a obra clássica de Andy Riley, THE BOOK OF THE BUNNY SUICIDES, cujo primeiro volume já se encontra editado em Portugal pelas Publicações Europa-América.”

E, já quase em “post-scriptum”, as palavras de Pacheco Pereira no “Veritas Filia Temporis” em 29.12.04 (originalmente publicadas na revista “Sábado”): “Os blogues portugueses foram a mais importante alteração positiva do sistema comunicacional nacional. Têm, todos sabemos, coisas péssimas: leviandade, cobardia anónima, agressividade balofa, arrogância moral, manipulação, militantismo sectário. Mas são miasmas que vêm da nossa atmosfera pequena e asfixiante, cheia de ressentimentos e escassez de bens e lugares, para a blogosfera. Mas, da blogosfera para fora, saiu qualidade, debate, controvérsia, imaginação e notícias.”

[1918]

2 comments 31 Dezembro, 2004

MENSAGEM (IV)

A II Parte – “Mar Português” inclui: “O Infante”; “Horizonte”; “Padrão”; “O Monstrengo”; “Epitáfio de Bartolomeu Dias”; “Os Colombos”; “Ocidente”; “Fernão de Magalhães”; “Ascensão de Vasco da Gama”; “Mar Português”; “A Última Nau” e “Prece”.

A posse do mar permite a ligação do mundo (relembrando o Infante D. Henrique):

“Deus quere, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse”,

mas a missão de Portugal não está ainda concluída:

“Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!”;

não basta o “mar com fim”:

“E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português”,

é necessário o “mar sem fim”, através do qual se alcançará um ponto divino:

“E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na terra calma
O porto sempre por achar”.

Tal como o Adamastor em “Os Lusíadas”, o “Monstrengo” representa o temor de vencer sentido pelos marinheiros, mas, ao mesmo tempo, os obstáculos a vencer:

“E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»”

Colombo, que tentara durante anos o apoio do Rei de Portugal, acabaria por descobrir o Novo Mundo sob a égide dos reis católicos de Espanha; significa aqui as oportunidades perdidas (“Outros haverão de ter / O que houvermos de perder”), mas também que a missão de Portugal vai mais além da dos “Colombos” (“Mas o que a eles não toca / É a Magia que evoca / O longe e faz dele história”).

Ocidente”, porque Portugal, sendo a “cabeça da Europa“, tem de cumprir a missão do Ocidente.


(“Republicação”)

[1917]

30 Dezembro, 2004

APOIO ÀS VÍTIMAS DO TSUNAMI

CRUZ VERMELHA PORTUGUESA – APOIO ÀS VÍTIMAS DO TSUNAMI
BANCO BPI
NIB 0010 0000 137 222 70009 70
Conta nº: 1-1372227000009

[1916]

30 Dezembro, 2004

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXX)

Na edição de 16 de Dezembro da revista “Visão”, é apresentada, sob o título “A nossa selecção – Elegemos os melhores recantos da blogosfera, onde se fala de política de não só”, referência particular a alguns “blogues”, da autoria de Mário Rui Cardoso:

- Abrupto“Uma instituição na blogosfera – José Pacheco Pereira foi o primeiro responsável pela mediatização dos blogues. JPP – sigla com que assina os posts – contribuiu sobremaneira para o incremento da popularidade da blogosfera e para a subsequente explosão do número de bloggers.”

- Barnabé“É o blogue do momento da esquerda portuguesa – com direito a livro em destaque nos hipermercados e tudo. Sendo dos mais visitados, é dos mais comentados. Os seus posts, muitas vezes redigidos em tom provocatório, desencadeiam longas discussões na zona de comentários.”

- Portugal dos Pequeninos“De João Gonçalves, um crítico refinado de Santana Lopes e do seu Governo, é um blogue culto, informado, consistente e com memória.”

- Causa Nossa“Políticos e comentadores que, até ao aparecimento da blogosfera, se limitavam a dois, no máximo três comentários semanais em órgãos de comunicação social, com os blogues ganharam um espaço de exposição permanente das suas opiniões.”

- O Acidental“É uma espécie de negativo do Barnabé. [...] Lançado por Paulo Pinto de Mascarenhas, jornalista da área da direita, próximo de Paulo Portas, este blogue opta, também, muitas vezes, pelo tom irónico e provocatório.”

- Gato Fedorento“Há muito que o gato não fede nem cheira. Os posts de jeito continuam ausentes [...] mas, até à data, ainda não foi anunciado o encerramento do blogue. Pelo que se mantém a esperança de, um dia, o Gato Fedorento regressar, com a corda toda.”

- Blogue dos Marretas“Os velhos Marretas foram outros que deram enorme fama aos blogues em 2003, e que se mantêm no activo, com a verve intacta.”

- Janela Indiscreta“Infelizmente, a Janela Indiscreta encerrou. Ao fim de quase dois anos a propor-nos filmes, livros, músicas e artes plásticas, depois de todo este tempo a inspirar-nos como nenhum outro, o blogue fechou.”

- A montanha mágica“É um paraíso das letras, na blogosfera. Ganhou expressão a fazer divulgação literária [...] continua a constituir uma paragem obrigatória para nos informarmos sobre os livros que temos de ler, mas também das músicas que devemos ouvir.”

- Xupacabras“Um fotoblogue, um blogue que nos cativa pelas imagens e não pelas palavras.”

- Médico Explica Medicina a Intelectuais“com um programa de intenções meritório à nascença, o de prestar esclarecimentos sobre aquilo que, alegadamente, os jornalistas tentam mas não conseguem explicar aos seus leitores, espectadores ou ouvintes, no que à saúde diz respeito. Obrigatório.”

- Dias com árvores“Um completo roteiro para conhecer as árvores do Porto. [...] Onde há árvores ou onde há problemas com árvores na Invicta, está este blogue. E ensina. Explica tudo sobre as árvores de que nos fala.”

- Ponto Media“Do jornalista António Granado, foi distinguido pela estação alemã Deutsche Welle com o prémio para o melhor blogue jornalístico em Português.”

[1915]

30 Dezembro, 2004

MENSAGEM (III)

“As Quinas” começam com “O Eloquente” D. Duarte, prosseguindo com os Infantes D. Fernando, o “santo cavaleiro”:

“Deu-me Deus o seu gládio, porque eu faça
A sua santa guerra
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma”,

D. Pedro e D. João; finaliza com a “personagem-símbolo”, o (“loucamente”) ambicioso D. Sebastião:

“Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a sorte a não dá
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?”.

A “loucura pela grandeza” de D. Sebastião alia-se de seguida ao misticismo da espada de Nuno Álvares Pereira, o líder preparado para a batalha:

“Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida
Que o Rei Artur te deu”.

A I Parte conclui-se com: o Infante D. Henrique, o senhor do mar, com “O globo mundo em sua mão”; D. João II, uma das figuras de maior influência na História da humanidade, por via do decisivo impulso dos Descobrimentos:

“Braços cruzados, fita além do mar.
Parece em promontório uma alta serra.
O limite da terra a dominar
O mar que possa haver além da terra”;

e, por fim, o vice-rei da Índia D. Afonso de Albuquerque.


(“Republicação”)

[1914]

29 Dezembro, 2004

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXIX)

A crise política associada à dissolução do Parlamento passou também – inevitavelmente – pela blogosfera, conforme destaque no Diário de Notícias de 2 de Dezembro (ver texto abaixo).

E, para além dos “suspeitos do costume” (os “blogues” de cariz mais político), a referência particular vai, neste caso, para a análise da Catarina (100nada).

O mês de Dezembro fica ainda assinalado pelo prémio de melhor blog jornalístico em português do “Best Of the Blogs” (da Deutsche Welle), atribuído ao Ponto Media, de António Granado.

“Internet Blogues

Blogosfera concorreu com ’sites’ na cobertura da crise

Marina Almeida

Opinião. A blogosfera usou as suas potencialidades na análise da crise

Terça-feira ao fim-do-dia, a genica dos sites de breaking news nacionais voltou a ser posta à prova.Todos se apressaram em actualizar, ao segundo, os desenvolvimentos da crise política. Nos primeiros minutos de «aflição», tiveram alguns concorrentes de peso na blogosfera.E muitos foram os que fizeram zapping no ciberespaço.

O Barnabé, do porta-voz do Bloco de Esquerda, Daniel Oliveira, apanhou a notícia no ar. O relógio do blogue marcava 18.23 , quando entra em linha o post: «Treme-se em Belém. Eu não acredito, mas lá que se treme, treme».

Dez minutos depois, já se tremia nas redacções. A SIC Notícias estava em directo de Belém, na TSF entraram as notícias da meia hora (e não mais pararam até à meia-noite). Os sites informativos fervilhavam. Às 18.32 é conhecido o comunicado da Presidência da República, dois minutos depois estavam online as primeiras notícias. Marcava também 18.34 no Barnabé quando surge: «Tudo indica que Santana acabou». À mesma hora, José Mário Silva publicava no Blog de Esquerda uma fotografia do Presidente e escrevia: «Olha, olha, Sampaio acordou!». No Blasfémias, às 18.40, João Miranda começava a sua odisseia com o post «Lá vai o bébé. Espero que ao menos se consiga salvar a água do banho».

Nos sites de breaking news pontuavam as notícias curtas e os títulos informativos. A blogosfera soltou a criatividade. A grande arma destes espaços é a opinião, que começou a pontuar nas horas seguintes ao anúncio formal da intenção de dissolução do Parlamento. No Causa Nossa Vital Moreira começou com «A corda quebrou» e nas horas seguintes partilhou com os cibernautas as suas reflexões.

No Blasfémias, os bloguistas reagiram e a reflexão de CCC, «Mais uma asneira do Presidente que não devíamos ter», mereceu várias referencias na blogosfera. Pacheco Pereira, no Abrupto, escrevia (premonitoriamente?) às 17.20 «Venha a moeda boa». Ontem de manhã , em «Notas da crise da incubadora», criticou o cinismo de alguns jornalistas.

Terça-feira, os blogues registaram um pico de acessos e alguns anunciaram-no publicamente. O Blog de Esquerda recebeu 141 visitas numa hora («Um record absoluto»). De acordo com o Sitemeter (que mede as audiências dos sites), recebeu 2058 visitas no dia. Ao Blasfémias acederam 1900 cibernautas. O recordista do dia parece ter sido o Barnabé com 4884 visitas.”

(artigo de Marina Almeida no Diário de Notícias de 2 de Dezembro)

[1913]

29 Dezembro, 2004

TSUNAMI – INFORMAÇÕES DE PHUKET

Nestes momentos de grande desespero, em que o número de vítimas do “Tsunami” de Domingo no Sudeste asiático não cessa de crescer, aqui fica a referência a um “site que poderá ser útil quer para as autoridades portuguesas quer para as famílias que procuram informações acerca do paradeiro dos seus familiares que estão internados nos hospitais de toda a região de Phuket, Tailandia. Este site reproduz nomes de todas as pessoas internadas nos hospitais de Phuket e infelizmente daqueles que padeceram já no hospital.”

(via Grande Loja do Queijo Limiano, com um abraço ao António pelo verdadeiro serviço público prestado).

[1912]

28 Dezembro, 2004

MENSAGEM (II)

A I Parte – “Brasão” compreende: (i) “Os Campos” (“O dos Castelos” e “O das Quinas”); (ii) “Os Castelos” (“Ulisses”, “Viriato”, “O Conde D. Henrique”, “D. Tareja”, “D. Afonso Henriques”; “D. Dinis” e “D. João I e D. Filipa”); (iii) “As Quinas” (“D. Duarte, rei de Portugal”, “D. Fernando, infante de Portugal”, “D. Pedro, regente de Portugal”, “D. João, infante de Portugal” e “D. Sebastião, rei de Portugal”); (iv) “A Coroa”; (v) “O Timbre”.

Falando da Europa (“A Europa jaz, posta nos cotovelos”), o autor começa por sugerir a missão de Portugal (“De Oriente a Ocidente jaz, fitando”; “Fita, com olhar ‘sfingico e fatal, / O Ocidente, futuro do passado”), tendo como um dos aspectos fundamentais a ligação do Oriente ao Ocidente, não apenas do ponto de vista geográfico, mas também a nível dos valores espirituais.

A glória tem um preço (“Compra-se a glória com desgraça”); só pode ser alcançada quando o ter não for colocado à frente do ser:

“Baste a quem baste o que lhe basta
O bastante de lhe bastar!
A vida é breve, a alma é vasta: 
Ter é tardar”.

N’“Os Castelos”, surgem os nobres brasões como arquétipos: o guerreiro e lutador Ulisses (fundador da cidade de Lisboa – “Este que aqui aportou”); Viriato, o símbolo do heroísmo e do espírito da independência lusitana:

“Nação porque reencarnaste
Povo porque ressuscitou
Ou tu, ou o de que eras a haste
Assim se Portugal formou”;

o Conde D. Henrique:

“A espada em tuas mãos achada
Teu olhar desce.
Que farei eu com esta espada?
Ergueste-a, e fez-se”;

a “mãe-pátria” D. Tareja (“Ó mãe de reis e avó de impérios, / Vela por nós!”); o “pai. D. Afonso Henriques” (“Dá-nos o exemplo inteiro / E a tua inteira força!”); “O plantador de naus” D. Dinis; D. João I (“Mestre, sem o saber, do Templo / Que Portugal foi feito ser”) e D. Filipa, a mãe da “Ínclita geração”:

“Que enigma havia em teu seio
Que só génios concebia?
Volve a nós teu rosto sério,
Princesa do Santo Gral,
Humano ventre do Império,
Madrinha de Portugal”.

(“Republicação”)

[1911]

28 Dezembro, 2004

“OS PEQUENOS VAGABUNDOS” – FÓRUM

Quase 30 anos depois, “Os Pequenos Vagabundos” continuam a dar que falar: têm, desde há dias, um novo fórum.

Entre as iniciativas em projecto destaca-se a preparação de uma visita ao local da acção desta que foi a série televisiva de culto dos adolescentes de uma geração!

[1910]

28 Dezembro, 2004

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXVIII)

Na Revista “Sábado” de 26 de Novembro, Pacheco Pereira publica o artigo “O outro debate público: os blogues políticos”:

“O Causa Nossa, o blogue de um grupo de simpatizantes e militantes socialistas, com relevo para Vital Moreira, fez um ano. Na blogosfera, um ano é um século, pelo que aguentar a parada durante tanto tempo é mérito. No caso do Causa Nossa, o mérito é tanto maior quanto este blogue é um dos animadores do debate político na rede e este, no seu conjunto, está a milhas de qualidade do que se pratica no espaço público dos átomos, em particular no sistema político-jornalístico. Nesse debate exterior há vozes individuais fortes e indispensáveis, a mecânica dos jornais dá à opinião um papel vigoroso e eficaz, mas é a preponderância de vozes individuais que sobreleva a um debate colectivo. Na blogosfera existe a informação, a interacção, a rapidez e a qualificação do debate sem paralelo “lá fora”. Como em todas as coisas, há o bom, o mau e o muito mau, mas havendo o bom já não estamos mal.

Sendo injusto, como se é sempre quando se escolhe poucos entre muitos, esse debate político é fomentado essencialmente por um pequeno número de blogues, de que aqui cito cinco. Embora a política tenha uma representação em muitos outros blogues, mais pessoais ou mais especializados, os exemplos que vou dar são de blogues predominantemente sobre política, a maioria próximos dos socialistas e do Bloco de Esquerda, e um mais à direita do espectro político, para utilizar os descritores habituais. A composição política da blogosfera conheceu uma evolução para a esquerda, que a coloca mais próxima dos equilíbrios do sistema político-comunicacional, em grande parte favorecida pela saída de alguns pioneiros que se assumiam como de direita e que migraram para a comunicação social tradicional.
[…]
Para além do Causa Nossa, são relevantes os Blogue de Esquerda II e Barnabé, ambos próximos do Bloco de Esquerda e da esquerda radical. O Barnabé é o mais lido, mas o menos influente pela sua duplicação da agenda jornalística e grande previsibilidade, enquanto o Blogue de Esquerda, um pioneiro dos primeiros tempos da blogsofera, tem uma voz com identidade e qualidade. Perdeu o ambiente de polémica dos primeiros tempos, que hoje é assumido essencialmente pelo Barnabé, mas os interesses dos seus autores estão longe de se limitar à agenda político-jornalista e isso dá-lhe uma respiração própria.

Alinhado no campo do socialismo moderado, o Bloguitica é de todos os que cito o único que é de autoria individual, escrito por Paulo Gorjão, o que representa um enorme esforço e trabalho do autor. No Bloguitica encontra-se uma análise sempre acertada do spin goveramental, revelando, com exemplos, aquilo que muitas vezes escapa ao jornalismo superficial que se deixa usar e serve de eco para passar “mensagens” políticas com origem em sectores do governo.
[…]
Para servir de contraponto a esta hegemonia da esquerda, o Blasfémias é o herdeiro colectivo de um grupo de blogues ligados ao pensamento liberal e aos dissidentes do PP, mas que ganharam em conjunto uma dimensão e uma massa crítica que o fazem a melhor voz liberal na blogosfera. Nele escreve João Miranda, um caso muito interessante de humor e perspicácia política, traduzida nas notas recentes sobre a pergunta do referendo, muito mais imaginativo que os imitadores nacionais do Spectator.

A influência destes blogues é grande, mas ainda demasiado invisível. Já são lidos hoje por milhares de pessoas por dia, e os mais lidos têm mais leitores do que alguns jornais diários como A Capital. Todos são lidos pela generalidade dos jornalistas, e muitos deles fornecem um suplemento mais fresco de questões, debates, pontos de vista, informações que a imprensa tradicional aproveita quase sem citar. Enquanto nos blogues há uma cultura de citação, pelas características de hipertexto que tem a rede, nos jornais só se cita interpares, quando a visibilidade de um artigo ou de uma opinião a torna inevitavelmente de autor.
[…]
Leiam os blogues que vale a pena.”

[1909]

28 Dezembro, 2004

9.0

Um dos maiores sismos de sempre, atingindo 8 países do Sudeste Asiático, com uma assustadora contagem crescente de vítimas (estimadas por especialistas italianos em cerca de 100 000).

P. S. A(s) foto(s) do horror na primeira página dos jornais (via Blogue de Esquerda)

[1908]

27 Dezembro, 2004

MENSAGEM (I)

Mensagem.jpgA “Mensagem” (livro de poemas, formando realmente um só poema) tem três grandes “andamentos”:

- na primeira parte, “Brasão”, o autor apresenta o Portugal profundo, o Portugal “rosto da Europa”, destacando os “construtores da pátria”, assim como algumas características indispensáveis à realização dos Descobrimentos;

- a segunda parte, “Mar Português”, dá-nos uma “fotografia”, ao mesmo tempo épica e dramática, do que foi a grandiosa, mas dolorosa empreitada dos Descobrimentos (uma missão cumprida como missão divina, mas com um preço significativo, que leva à interrogação “Valeu a pena?”);

- na terceira e última parte, “O Encoberto”, defende-se a possibilidade da regeneração nacional pelo mito e pelos seus símbolos, mesmo se, em termos políticos, económicos, sociais e culturais, tudo pudesse parecer perdido.

Para o poeta, o mito sebastianista deve ser aproveitado, de forma a estabelecer a atmosfera espiritual necessária à realização do Quinto Império (“…parte, antes, com a civilização em que vivemos, do Império espiritual da Grécia, origem do que espiritualmente somos. E, sendo esse o Primeiro Império, o Segundo é o de Roma, o Terceiro, o da Cristandade, e o Quarto o da Europa… isto é, da Europa laica de depois da Renascença”) – um Império não no sentido do guerreiro, territorial ou material, mas no sentido de um Império do Espírito e da Cultura.

A contínua actualidade da “Mensagem” faz pensar e renovar espiritualmente a “nação” portuguesa, constituindo um incitamento ao reforço do seu papel no mundo.


(“Republicação”)

[1907]

27 Dezembro, 2004

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXVII)

A 25 de Novembro, o Barnabé anuncia o lançamento de livro com textos editados no “blogue”:

“O Barnabé saiu em livro. O lançamento está marcado para dia 7 de Dezembro. Mas já se pode encontrar em muitas livrarias. São os melhores posts escritos entre de 10 de Setembro de 2003 (quando o Barnabé nasceu) e 10 de Setembro de 2004. Editado pela Oficina do Livro. Daremos mais notícias.”

O lançamento deste livro é também referido em artigo de Paulo Pena na Revista “Visão”, na sua edição de 25 de Novembro : “O que é que tem o ‘Barnabé’? É um blogue «diferente dos outros». É de esquerda, bem-humorado, e vai sair em livro.

“Rui é anarquista. Daniel é dirigente do Bloco. André é de esquerda. Pedro e Celso são sociais-democratas. São amigos há mais de 15 anos.

[…]

Pedro Oliveira aponta uma razão para este sucesso. «Os portugueses gostam de conversar, e de opinar, e houve uma rarefacção dos espaços onde isso era possível, como os cafés e as tertúlias.»

[…]

O Barnabé é o terceiro blogue editado em papel (pela Oficina do Livro), e será lançado no próximo dia 7 de Dezembro. Os seus antecessores foram o best-seller, O Meu Pipi (também da Oficina) e o Fora do Mundo, de Pedro Mexia (da Cotovia).”

Efectivamente, também Rita Ferro Rodrigues publicou em livro os textos anteriormente editados no “blogue” que manteve (“No Parapeito”), escrevendo sobre as alegrias, tristezas, amores e afectos – com lançamento a 16 de Novembro.

[1906]

27 Dezembro, 2004

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXVI)

E, se o início de Novembro fica assinalado pelo abandono de actividade de dois “blogues históricos”, o Janela Indiscreta (página de relevância cultural) e o Valete Fratres! (“blogue” de referência, situado à direita do espectro político), respectivamente a 2 e a 3 de Novembro, no dias imediatos (4 e 5) nasciam o Esquerdices e o Torre de Menagem (este último agrupando autores de diversos “blogues” alentejanos).

A 24 de Novembro, o “Primeiro de Janeiro” atribui ao Abrupto, de Pacheco Pereira, o “Prémio Inovação”:

“O Abrupto, de Pacheco Pereira, recebe o primeiro prémio português atribuído a um blogue
«Imprensa deve estar atenta aos blogues»

Porque inovar é preciso, O PRIMEIRO DE JANEIRO, apesar de secular, não se esquece daqueles que se destacam pela criação e pela novidade. Assim, Pacheco Pereira viu o seu blogue Abrupto ser distinguido com o Prémio Inovação, o primeiro prémio a ser atribuído a um blogue.

Ana Caridade

“E o Prémio Inovação vai para… José Pacheco Pereira e o seu blogue Abrupto”. Ao anúncio feito aos microfones do salão Preto e Prata do Casino da Póvoa seguiu-se a apresentação do premiado, num dos momentos altos da noite. Lobo Xavier, colega de debate de Pacheco Pereira no programa «A quadratura do círculo», da SIC Notícias, ficou encarregue de falar sobre “o amigo Zé Pacheco Pereira”. Políticas à parte, Lobo Xavier optou por falar da pessoa, das suas qualidades de “independência”, “rigor” e “tenacidade”. Referindo as inúmeras áreas do saber nas quais Pacheco Pereira se distingue, até das menos conhecidas do público, como “aprendiz de astronomia”, o seu colega de debate salientou o facto de o autor do Abrupto nunca ficar “refém dos vícios dos sectores que domina”. Talvez por isso o Abrupto seja um diário “eclético”, exclusivamente “assente em Pacheco Pereira, na sua vontade indomável, mas também no enorme número de visitantes que o blogue já registou”. O diário digital de Pacheco Pereira é um reflexo seu, onde aqui e ali “despe a capa de comentador duro e cruel e deixa entrever a capacidade de se emocionar, quer seja no texto que escreveu sobre o envelhecimento do Papa, quer seja num poema ou na imagem de um quadro”.

Apesar de se considerar um amigo do “Zé”, Lobo Xavier sente que nunca se está “muito próximo de um espírito assim” atribuindo esse lugar de eleição “à Teresa”, mulher do premiado. E assim é ele, “o único pensador estruturado à direita”, embora Lobo Xavier saiba que Pacheco Pereira “não gosta de rótulos”. E tinha razão. Depois de agradecer a atribuição do prémio, e os elogios de Lobo Xavier, Pacheco Pereira fez questão de dizer que o puseram “num clube ao qual ele não pertence”. Quanto ao galardão, espera que este tenha o condão de avivar o debate político e cultural, pois afinal é esse o intuito dos blogues. Comparando esta nova forma de comunicar com os jornais anarquistas do início do século, “jornais que proliferavam no Porto e que tinham uma personalidade satírica e jovem”, Pacheco Pereira lembrou a importância que estes diários digitais têm no mundo da comunicação social. “São dois mundos complementares porque nos blogues encontra-se vivacidade e espírito crítico, qualidades que escasseiam na imprensa tradicional, e que, por isso, devem segui-los com atenção. Nos blogues encontra-se um retrato do Portugal que está a aparecer”. A terminar, Pacheco Pereira realçou que “a liberdade assenta no pluralismo e os blogues são o exemplo daquilo que desejamos para o Portugal do futuro”.”

[1905]

26 Dezembro, 2004

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXV)

A 27 de Outubro, a “blogosfera” é “sacudida” com o caso “Do Portugal Profundo“, com a Polícia Judiciária a confiscar o computador do autor do “blogue” por alegada quebra do sigilo judicial a propósito do caso de pedofilia na Casa Pia, conforme relatado em artigo do Correio da Manhã:

“Casa Pia – PJ confisca computador a autor de blogue

PORTUGAL PROIBIDO

Eram 7h00 quando dois agentes da Polícia Judiciária (PJ) de Leiria, acompanhados por um procurador adjunto do Ministério Público (MP), bateram à porta de António Caldeira, autor do blogue ‘Do Portugal Profundo’. Um caso de “censura” e “tentativa de intimidação”, considera o professor universitário de Alcobaça, que tem divulgado na internet pormenores do processo Casa Pia.

“Eles entraram e apreenderam disquetes, CD e o meu computador. Fizeram isso também em casa da minha mãe, de onde levaram um computador que eu já não usava há dez anos”, contou Caldeira ao CM. O professor de Marketing terá sido constituído arguido do crime de desobediência, por ter desrespeitados os autos que proibiram a reprodução das peças processuais ou documentos incorporados no processo Casa Pia. “Sou notificado de desobediência, mas isso pressupõe que eu conhecesse os autos. Como podem eles ter a certeza disso?” Caldeira terá também sido sujeito a termo de identidade e residência.

ENTRE A BÉLGICA E A ITÁLIA

António Caldeira não tem dúvidas: “há uma rede pedófila de controlo do Estado a tentar silenciar o meu blogue e intimidar a minha acção”, considera, dizendo ter sido essa rede a fazer a denúncia que motivou o MP.

O blogue ‘Do Portugal Profundo’ nasceu há mais de um ano como um ‘site’ generalista, e a dada altura passou a dar grande atenção ao processo Casa Pia. “Tomei conhecimento de que a questão era equivalente ao escândalo de pedofilia da Bélgica, só que mais grave. A rede pedófila é semelhante à Máfia de Itália, com a diferença de que ainda não fez mortos”, diz o professor. “Escrevo em nome do País e da democracia. Move-me a necessidade de limpeza do Estado desta rede pedófila.”

Apesar daquilo que considera ser uma “tentativa de intimidação e limitação da liberdade de expressão”, António Caldeira promete continuar a alimentar o seu blogue, que continua activo no endereço http://doportugalprofundo.blogspot.com. “Enquanto eu puder, no cumprimento da lei, continuarei a falar do que acho importante”.

Contactado pelo CM, Jorge van Krieken, autor do ‘site’ ‘ReporterX’, que também publica informação de cariz semelhante, não quis revelar se alguma vez foi alvo de acções do MP. “Não vou prestar quaisquer declarações ao vosso jornal”, disse.

AINDA NO AR

Na sua mensagem mais recente o blogue ‘Do Portugal Profundo’ publica na íntegra o relatório do Serviço de Informações e Segurança (SIS), concluído em 1999, intitulado ‘A Pedofilia em Portugal: ponto da Situação’. “Este documento, apresentado no Conselho de Informações e Segurança, foi transmitido à Polícia Judiciária e motivou a investigação consequente”, explica Caldeira. O ‘site’ nunca divulgou os nomes das vítimas.”

Rodrigo de Matos

[1904]

25 Dezembro, 2004

FELIZ NATAL!

A todos os amigos que me dão a satisfação de por aqui ir passando, os meus votos de um FELIZ NATAL!

7 comments 24 Dezembro, 2004

“MAGEN DAVID’OURO”

Um novo agradecimento especial, ao Nuno Guerreiro, que inclui o Memória Virtual na sua selecção “Magen David’Ouro – Os Melhores Blogs de 2004“.

É mais um importante incentivo, proveniente do autor de um dos melhores “blogues portugueses”, o Rua da Judiaria.

Obrigado!

[1903]

1 comment 24 Dezembro, 2004

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXIV)

A 11 de Outubro, a blogosfera vive mais um episódio caricato, com um “blogue” de um deputado madeirense, instalado na plataforma de “blogues” disponibilizada pela Assembleia da República – com a curiosa denominação de “Os cães ladram e a caravana passa” -, que, num tom algo polémico, parecia deixar antever tendências separatistas. O episódio ficaria por aí, dado que o “blogue” teria uma vida muito efémera, de poucos dias (ver “entradas” de Paulo Querido, de Paulo Gorjão e do deputado José Magalhães).

A 15 de Outubro, numa iniciativa de Nuno Peralta e Rui Branco, é lançado um repto – em primeira análise à comunidade “bloguística”, mas extensível a todos os portugueses – o de encontrar uma “alternativa ao bloco central“:

“Queremos uma Alternativa Real ao Bloco Central. Acreditamos na liberdade. Na liberdade de expressão. Na liberdade de iniciativa. Mas também defendemos a responsabilidade. E defendemos que quem clama por direitos não se pode esquecer dos seus deveres. Não há por aí mais gente desiludida com os partidos de poder, que se posicione ideologicamente ao centro, interessada em criar um movimento político que condicione o actual “bloco central”? Alguém que se preocupe com o futuro do país e que queira fazer algo, levar avante as reformas necessárias, sem objectivos de carreirismo partidário? Como fazer? Vamos a ver.”

[1902]

24 Dezembro, 2004

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Convicto da compreensão da inexistência de intenção de prejudicar terceiros, não obstante, agradeço antecipadamente a qualquer entidade que se sinta lesada pela apresentação de algum conteúdo o favor de me contactar via e-mail (ver no início desta coluna), na sequência do que procederei à sua imediata remoção.

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