RSS - Leonel Vicente


Lista de agregador de sites e blogues, seleccionada por Leonel Vicente

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ANO NOVO, VIDA NOVA

…No caso, nova “morada” do Memória Virtual, a partir de hoje disponível em http://memoriavirtual.net.

Mas há mais “novidades”: inicio hoje também a publicação de um novo blogue, cuja temática é a Literatura de Viagens e os Descobrimentos: Carreira da Índia.

Carreira da Índia” foi a designação atribuída à ligação marítima entre Lisboa e os portos da Índia (Cochim e Goa), a qual – após a viagem precursora de Vasco da Gama em 1497/1498 – perdurou durante mais de três séculos (até à centúria de 1800), constituindo-se na maior e mais prolongada rota de navegação à vela.

A pretexto desta extraordinária rota veleira – exclusivo português durante cerca de 100 anos, até à primeira expedição neerlandesa de 1595 –, o blogue Carreira da Índia pretende “reviver” um pouco da História dos Descobrimentos, a par da recuperação de algumas páginas da chamada “Literatura de Viagens”.

Procurando assegurar a regularidade requerida numa empreitada desta natureza, por aqui me proponho ir apresentando notas de enquadramento e sobre os antecedentes da grande epopeia marítima dos Descobrimentos, em paralelo com o desfilar dos protagonistas da História e da relação das viagens à Índia efectuadas até meados do século XVI (1547).

E, “dando a palavra aos heróis” dessa esplêndida aventura, excertos dos seus “Diários de Viagem” (Roteiros e Diários de Bordo), procurando beneficiar também da vertente diarística facultada pelo formato de publicação “blogue”:

- desde o “Roteiro da Índia” (ou “Roteiro da Viagem que em Descobrimento da Índia pelo Cabo da Boa Esperança fez D. Vasco da Gama em 1497”), diário de bordo da viagem inaugural, atribuído a Álvaro Velho (tripulante dessa comitiva), publicado em 1838;

- passando pela famosa “Carta a D. Manuel sobre o Descobrimento do Brasil”, de Pêro Vaz de Caminha, relatando o “achamento” do Brasil, em 1500;

- ou pelo relato de uma das últimas viagens do século XVI, no centenário da expedição pioneira, numa narrativa do que alcançou o lugar de piloto-mor do Reino, Gaspar Ferreira Reimão (“Diário da navegação da Nau São Martinho, em viagem para a Índia, no ano de 1597”).

Sem esquecer a referência a outros autores – também “testemunhas oculares”, na generalidade –, e com espaço para, “abrindo horizontes”, para além da estrita “Carreira da Índia”, viajar até ao Médio e Extremo Oriente, África Oriental e Ásia Central, nomeadamente com:

- Gomes Eanes de Zurara (“Crónica da Guiné”, de 1453);

- Duarte Pacheco Pereira (numa descrição factual da exploração da costa africana pelos navegadores portugueses, em “O Esmeraldo de Situ Orbis”, alegadamente escrito entre 1505 e 1508);

- Gil Vicente, considerado o “pai do teatro” em Portugal, com o “Auto da Índia”, de 1509;

- Frei Tomé Pires (sobre o Reino da Pérsia, em “Suma Oriental”, um “tratado” de geografia, escrito entre 1511 e 1516);

- D. João de Castro (“O Roteiro do Mar Roxo”, ou “Roteiro que fez Dom Joam de Castro da Viagem que Fezeram os portugueses Desda India atee Soez”, de 1540, incluindo diversas tábuas e esboços topográficos, ilustrando as descrições geográficas do texto);

- Padre Francisco Álvares (As Terras do Preste João, na “Verdadeira Informação do Preste João das Índias”, de 1540);

- João de Barros (considerado o primeiro grande historiador português, nas “Décadas da Ásia”, publicadas em 1552, 1553 e 1563);

- António Tenreiro (relatando uma viagem da Índia para Portugal, feita por terra em 1529, num texto escrito em 1560: “Itinerário”);

- Frei Gaspar da Cruz (o “Império do Meio”, no “Tratado das Cousas da China”, cerca de 1570):

- Luís de Fróis (sobre o Japão, em “Contradições dos Costumes entre a Gente da Europa e a Província Japão”, de 1585);

- Padre António de Andrade (“O Novo Descobrimento do Gram Cathayo, ou Reino do Tibet”, de 1626);

- Fernão Mendes Pinto (escrevendo com base nas suas aventuras e desventuras no Oriente, de 1537 a 1558, em “A Peregrinação”, o livro de viagens mais famoso da literatura portuguesa, publicado em 1614, mas escrito por volta de 1570);

- Luís de Camões e o poema épico por excelência, “Os Lusíadas”.

Convido-o a acompanhar-me nestas deslumbrantes viagens!

2 comments 1 Janeiro, 2007

2006 EM IMAGENS

“O ano em imagens” (MSNBC)

… e, também, no The York Times

(via Ponto Media)

FELIZ ANO DE 2007!

Add comment 31 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XXX)

A 18 de Dezembro, no Viridarium (blogue dedicado à História das Ciências, mantido pelo Centro de Estudos de História das Ciências Naturais e da Saúde), Clara Pinto Correia - num exemplo de jornalismo na blogosfera - entrevista o Reitor da Universidade de Lisboa, José António Sampaio da Nóvoa.

time-you.jpgNo mesmo dia, a revista TIME, na sua edição referente a 25 de Dezembro, designava como “Personalidade do ano”, “YOU“; nós, os utilizadores da Internet, que “controlamos a era da informação”!

O ano de 2006 encerra com mais uma polémica, a do “Cartão único do Cidadão”, com Francisco José Viegas a manifestar a sua discordância, em oposição, por exemplo, à opinião advogada por João Miranda, no Blasfémias.

Também a 29 de Dezembro, é apresentado o blogue relativo à eleição dos melhores livros de 2006 (a anunciar em 25 de Janeiro de 2007), com uma primeira emissão especial do programa “Escrita em Dia”, na Antena 1, a 31 de Dezembro.

E, fazendo já a “ponte” para o ano de 2007, ficam em agenda as sessões de ”Falar de blogues“.

Add comment 30 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XXIX)

Também a 13 de Dezembro, o comentador e analista Nuno Rogeiro, em deslocação a Teerão, a convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, participava em conferência sobre o tema “Revisão do Holocausto: uma Visão Global”.

Não faltaram na blogosfera comentários sobre a ocorrência, apontando a Nuno Rogeiro o facto de a sua presença ser apercebida como forma de caucionar este encontro “revisionista / nazi / racista”, cujo mote essencial constava na “negação” da realidade do Holocausto (vidé - a título exemplificativo - Daniel Oliveira, no Arrastão, ou Helena Matos, no Blasfémias).

Nuno Rogeiro, ele próprio colaborador de um blogue, apresentaria a sua versão do sucedido n’O Futuro Presente (publicando inclusivamente o texto da alocução que seria suposto proferir), e ainda, também, em entrevista ao Expresso.

A 15 de Dezembro, a blogosfera “abraçava” uma nova “micro-causa”: a petição “anti-TLEBS” - ver, por exemplo, o filme produzido pelo 31 da Armada, com a participação de Francisco José Viegas  (que já anteriormente se pronunciara) e Pedro Mexia, assim como esta imperdível entrada em “Foram-se os anéis“, ou o Adufe, Aspirina B, Blasfémias, Miniscente, para além de outras entradas anteriores no Quarta República (também aqui), Da Literatura, Portugal dos Pequeninos ou no Tomar Partido.

Em “contra-ciclo” - relativamente à petição, que não no que à questão de fundo respeita - a ler João Morgado Fernandes, no French Kissin’.

Ainda a propósito da “TLEBS” - Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário, a visitar a página do Ministério da Educação… e, nos jornais, estes artigos no Diário de Notícias (por Vasco Graça Moura - também aqui - e Vicente Jorge Silva).

2 comments 29 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XXVIII)

A 10 de Dezembro eram anunciados os vencedores dos “Melhores Blogues 2006”, conforme eleição promovida pelo Geração Rasca, abrangendo as seguintes seis categorias:

- Melhor Blog Individual Feminino - Miss Pearls
- Melhor Blog Individual Masculino - Estado Civil
- Melhor Blog Colectivo - Blasfémias
- Melhor Blog Temático - Foram-se os Anéis
- Melhor Blog - Blasfémias
- Melhor Blogger - Francisco José Viegas (A Origem das Espécies).

Por estes dias, discutiam-se amplamente as implicações do livro de Carolina Salgado, “Eu, Carolina”, em que revela aspectos da sua vida em comum com Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto, alegadamente envolvido em casos de corrupção de árbitros, também implicado em agressão a antigo vereador da Câmara de Gondomar, cuja denúncia terá despoletado o caso “Apito Dourado”.

E, tendo por mote o debate blogosférico a propósito do tema, Pedro Rolo Duarte escrevia no Diário de Notícias, a 13 de Dezembro, o artigo “Um livro que alterna“, em que “classifica os blogues em dois patamares”:

“Por razões profissionais, tenho sido um atento leitor da blogosfera nacional. Independentemente dos juízos de valor que possa fazer sobre este movimento comunicacional, distingo claramente dois patamares de blogues: os que, por serem assinados por personalidades mais ou menos conhecidas (jornalistas, políticos, intelectuais, escritores), gozam de uma relevância que lhes garante alguma influência na rede, e obedecem até a uma espécie de “livro de estilo” que os inscreve numa normalidade próxima dos media clássicos; e os outros, dos anónimos cidadãos, criados muitas vezes ao sabor de uma paixão ou de um ataque de raiva, e que obedecem somente aos “ventos” dos seus autores. Os primeiros são extensões de pessoas, causas, jornais, grupos de cidadãos. Os segundos são, na realidade, a vox populi que habitualmente se encontra nos cafés, nos barbeiros, nos cabeleireiros - e que agora está ali, também, ao alcance de um clique.

[...]

Observando os dois patamares da blogosfera, o que se verifica é que o livro de Carolina Salgado desestabilizou de tal forma a comunidade que encontro reacções cruzadas: há gente circunspecta e de “referência” a brincar com o tema, e há pura vox populi a descobrir motivos de séria apreensão.”

Add comment 28 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XXVII)

A 12 de Novembro, o Tugir, numa iniciativa inédita, transmitia imagens em directo do Congresso do PS.

No dia seguinte, o Geração Rasca lançava a ideia da eleição do “Melhor blogue do ano”.

Entretanto, no espaço de cerca de duas semanas, 9 novos blogues vêem a “luz do dia”, merecendo uma referência particular, em mais uma demonstração da capacidade de renovação na blogosfera:

Revitalização da Baixa-Chiado, do Diário de Notícias – “O DN está a promover um debate público sobre o plano de revitalização da Baixa-Chiado. Participe com a sua opinião.” – abrindo com um texto de António Mega Ferreira;

O Carmo e a Trindade – Também para debater a cidade de Lisboa, com a participação, entre outros, de Catarina Portas, Eurico de Barros, Fernanda Câncio, Jacinto Lucas Pires, João Carvalho Fernandes e Jorge Ferreira;

Get a (Second) Life!, de Catarina Campos, relatando o dia a dia da sua “realidade virtual”, numa espécie de “vida paralela”, no “Second Life” (um mundo virtual em 3 dimensões!…);

Coreia do Norte - “Um Segredo de Estado” – de Rita Colaço, relatando as suas vivências no “país mais fechado do mundo”, em reportagem ao serviço da Antena 1;

Lx Repórter, “um blogue de notícias e reportagens, que pretende informar e noticiar factos, respeitando o Código Deontológico dos Jornalistas”, de Miguel Marujo;

O Pulo do Gato, de Fernando Sobral;

Roupa para lavar, do jornalista Jorge Fiel (na “plataforma” do Expresso);

Cibercidadania, de Paulo Querido (igualmente na “plataforma” do Expresso), “O blogue dos poderes, responsabilidades e comportamentos na rede”, visando iniciar a reflexão sobre estes temas e criar as condições para o seu cumprimento;

31 da Armada – “O primeiro blog de terceira geração”, contando com a participação de uma vasta equipa, reunindo alguns bloggers já com grande experiência, como Alexandre Borges, Carlos do Carmo Carapinha, Diogo Belford Henriques, Luciano Amaral, Nuno Costa Santos, Paulo Pinto Mascarenhas, Rita Barata Silvério e Rodrigo Moita de Deus, entre outros.

Entretanto, a 27, José Pacheco Pereira alertava, no Abrupto, para uma tendência emergente na blogosfera:

Será interessante acompanhar o nascimento, evolução (e, se se mantiver a tendência do passado, a morte por inanição) de blogues políticos que, pelos seus meios profissionais, se percebe terem financiamentos próprios cuja origem é desconhecida. É um fenómeno novo que mostra a importância crescente da blogosfera e do qual não vem nenhum mal, se existir um pouco mais de transparência. No fundo, trata-se de política pura e dura e não de qualquer actividade amadora e lúdica pelo que saber quem paga é relevante. Relevante e instrutivo.”

Add comment 27 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XXVI)

A 9 de Novembro, no Público (texto já anteriormente referido), a propósito do anonimato nos blogues, Pacheco Pereira apresenta novas reflexões sobre o fenómeno:

 “A DIFERENÇA ENTRE UM QUIOSQUE E A BLOGOSFERA”
José Pacheco Pereira

“Se eu olhar para um quiosque de jornais como muita gente olha para os blogues, o que eu vejo é isto: Maria, O Jornal do Crime, A Mãe Ideal, Novenas Milagrosas, Lux, VIP, Nova Gente, Maxman, o Borda de Água, Público, Flash!, Única, 24 Horas, Nova Cidadania, TV Guia, TV Mais, Ana, Teleculinária, MM, Saúde, Record, Atlântico, A Bola, Autosport, Correio da Manhã, O Diabo, uns títulos em ucraniano, o Guia Astrológico, Os Meus Livros, Cosmopolitan, Prevenir, Sporting, Blitz, Guia Astral, Mini-Recreio, Activa, GQ, Diário de Notícias, Selecções…

Se abrir as folhas ao acaso, como se consultar blogues ao acaso, coisas sinistras estão sempre a cair de dentro das folhas: notícias falsas, especulações, falsidades anónimas, plágios, voyeurismo, egos à prova de bala, ignorância, erros, invejas, ajustes de contas, presunção, arrogância, esquemas diversos, banha da cobra, cobras. Há gente que fala com Deus e gente que namora o Diabo, há quem coma a namorada, como o Dr. Lecter, há o professor Karamba, e há umas meninas para todos os gostos, há extraterrestres, boatos, insinuações, muita “informação” anónima, pornografia strictu sensu, pornografia intelectual, quartos à hora, hotéis à noite, etc., etc. Uma selvajaria, o Mundo Cão, o Faroeste, os baixos fundos, o jet set, um conde, o tatuador, a tatuada, a esposa, o marido, a amante, o escroque, o bondoso, o franciscano e o tolo…

Ah! Diz-me uma voz, mas estás a misturar tudo! Pois estou, é como fazem os que falam dos blogues misturando tudo, como Miguel Sousa Tavares e Eduardo Prado Coelho fizeram recentemente para se defenderem (o que é legítimo) de acusações e falsificações anónimas. É verdade que os jornais e revistas têm responsáveis e não são como as cartas anónimas, ou os blogues que funcionam como cartas anónimas, mas quando os primeiros transcrevem os segundos ficam iguais. No caso do Miguel Sousa Tavares, o que falhou foi a imprensa tradicional, que aceitou citar fontes anónimas, sem um julgamento de mérito. A notícia não é que um blogue anónimo acuse Miguel Sousa Tavares de plágio, a notícia é que Miguel Sousa Tavares cometeu plágio, se o tivesse cometido, e aí o autor da notícia devia fazer o seu próprio julgamento e só publicar caso esse julgamento fosse que sim. Não sendo, o blogue é como uma carta anónima, incitável e inaceitável. Foi isso que falhou e hoje em dia falha cada vez mais, porque a comunicação social escrita precisa de pretextos para violar as regras de que se gaba como sendo distintivas e, na Internet, encontra-os com facilidade, entrando depois facilmente na selvajaria. Está lá no computador, para milhões verem, por isso está “publicado”, logo posso citar e levar a sério, sem ter responsabilidade.

O mal não está nos blogues em si, está na nossa incapacidade para ler e escrever blogues, como para ler e escrever jornais com uma decência mínima. O problema é mais comum do que se pensa, embora seja verdade que as pessoas se sentem mais impotentes para se defenderem da Internet do que no mundo da comunicação social tradicional, mas o que é crime cá fora é crime lá dentro.

Mas a reacção aos blogues, selvagens, inúteis, desviadores da atenção, perdulários do nosso tempo, oculta-nos muita coisa de interessante que está a passar-se diante dos nossos olhos e que não percebemos porque os vemos tão misturados como o Jornal do Crime está com o Público no quiosque de jornais, ou como se o Público para falar de ciência citasse o Guia Astrológico como fonte. Os blogues são apenas uma das pontas do mundo novo em que já estamos, uma pequena ponta, mas tão reveladora que mesmo estes episódios lesivos de Miguel Sousa Tavares (acusado de plágio) e de Eduardo Prado Coelho (que tem um texto falso a circular na Rede) são dele sinal. Ora nunca ninguém disse que era o Admirável Mundo Novo, a não ser os utopistas que pensam que as tecnologias mudam o mundo sem o pano de fundo das sociedades onde elas existem.

Vamos admitir, o que não me custa nada, porque até acho que é verdade, que mais de 90 por cento do que está na blogosfera é lixo. Temos em seguida que convir que também 90 por cento do que está nos quiosques é lixo, a julgar pelo nosso quiosque. Não é por aí que se faz a diferença. Para isso é preciso olhar com um pouco mais de atenção quer para os 90 por cento de lixo, quer para os 10 por cento sobrantes, porque, tendo muita coisa em comum, têm também diferenças importantes. Para se perceber o que está a mudar no conjunto do sistema comunicacional temos que analisar o lixo e o luxo na Rede.

O lixo nos blogues, como antes (e agora) o lixo na Rede têm muito de comum com o lixo nos diários pessoais, nos jornais locais, nos boletins de paróquia, nas rádios locais, nos panfletos partidários, nas cartas anónimas, na pequena, grande e média comunicação social, nessa imensa voz entre sussurrada e gritada que nos acompanha sempre, na maioria dos casos como pura estática, lixo escrito, lixo dito, lixo visto. Mas tem diferenças interessantes como esta que não é meramente quantitativa: mais indivíduos falam na Rede do que alguma vez falaram em jornais, revistas, diários, cartas anónimas ou assinadas.

O número espantoso dos milhões de blogues, com o seu crescimento exponencial, é um fenómeno radicalmente novo. Estes milhões de pessoas que escrevem na Rede, em nome próprio, com pseudónimos ou anonimamente, são uma manifestação da principal característica das sociedades pós-industriais, as que nasceram em espaços urbanos dominados por serviços, pela produção, distribuição e consumo de informação - são sociedades de massas, onde impera o que antigamente se chamava “psicologia de massas”. São ainda poucos, mas são o primeiro destacamento, o destacamento loquaz, o que anuncia o que aí vem, os que ocupam o espaço público com as suas vozes no mesmo movimento com que um centro comercial se enche quando abre as portas às 10 da manhã, ou o prime time das novelas fica habitado das suas audiências, ou as praias do Algarve e os estádios de futebol se enchem.

Essas pessoas falam porque têm alguma coisa a dizer? Acrescentam alguma coisa ou são elas mesmo um sinal de cacofonia? Depende como se vê a questão: elas têm alguma coisa a dizer porque querem dizer alguma coisa - essencialmente que existem e que são elas que vão mandar, que são elas que já mandam. O que têm a dizer não é novo, é ruído, é pobre, é insignificante em termos culturais, estéticos, criadores, mas é a voz que fala cada vez mais alto, a voz que se ouve, a estática gerada pelas multidões e que exige ser ouvida nas sondagens, nas pseudo-sondagens dos telefonemas para dizer sim ou não, nas audiências da televisão, a que não quer esperar, não quer delegar, não quer aprender, não quer sofrer. Quer tudo e já, e só não o tem porque os “políticos” a enganam e desviam.

O número dos blogues significa que também, pouco a pouco, as massas das sociedades de massas chegam à Rede como nunca antes chegaram aos jornais ou chegam hoje à televisão. Trazem com elas aquilo que antes, nos primeiros parágrafos deste texto, chamei “selvajaria”: não querem mediações, que são o poder do passado, o poder dos intelectuais, o poder dos antigos poderosos. Querem democracia “participativa”, não querem democracia representativa, não querem saber de nada que possa significar privilégio dos sábios, ricos e poderosos. Não prezam a intimidade e a privacidade, porque no seu mundo não existem e não são valores, não prezam a propriedade porque a têm pouco, são anti-intelectuais, combatem todos os que parecem atentar ao seu igualitarismo funcional e punem-nos na Rede como gostariam de os punir cá fora: “é bem feito” é a expressão que mais se ouve por todo o lado. Miguel Sousa Tavares é “arrogante”, o “povo” acusa-te de plágio; Eduardo Prado Coelho mandaste na intelectualidade durante muito tempo, leva lá com um texto falso para aprenderes que aqui somos todos iguais! Por bizarro que pareça, tudo isto foi escrito em linha, quer em caixas de comentários, as furnas da Internet, quer nos blogues anónimos e ignorados, os degraus superiores do Inferno.

É por isto que os blogues são interessantes, porque se move ali um monstro, que existe bem fora dos electrões. Esse monstro fala - nos blogues e nos jornais - e nós não o queremos ouvir porque ele nos coloca em causa, coloca em causa o lugar que ocupamos. Ele luta ali pelas suas regras próprias e não pelas que tomamos por adquiridas e, desse ponto de vista, convém conhecê-lo muito bem. É por isso que se aprende mesmo com os 90 por cento de lixo na blogosfera. E aprende-se ainda melhor se olharmos para o 10 por cento que não é lixo, porque para essa parte da Rede irá migrar uma parte mais dinâmica do espaço público, que conhece melhor o monstro e que já fez a prova do monstro.

Tratar os blogues como um quiosque dos jornais indiferenciado é deitar fora o menino com a água do banho. Vamos em seguida falar dos 10 por cento, número optimista, eu sei.”

Add comment 26 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XXV)

O artigo de Miguel Sousa Tavares seria, inevitavelmente, objecto de reacção na blogosfera, nomeadamente por Luís Santos (no Atrium) e Rogério Santos (no Indústrias Culturais), que frisava não se poder “[...] generalizar e desprezar o mundo dos escritores. Ou dos jornalistas. Ou dos blogues“. Seria aliás criado um “grupo de discussão” a propósito deste caso, com referências a outros blogues que comentaram o assunto.

A 2 de Novembro, Francisco Sena Santos, uma singular voz da rádio, passava a disponibilizar crónicas “radiofónicas” diárias, em podcast.

Ainda a propósito da blogosfera e do anonimato nos blogues, no mesmo dia (9), dois artigos, que se juntam a um outro, publicado na revista Visão da semana anterior (de Manuel António Pina – “Anónimos, dizem eles”).

No Público, José Pacheco Pereira (“A diferença entre um quiosque e a blogosfera”), tal como Ferreira Fernandes, na revista Sábado (”A blogosfera”), colocavam a tónica na indispensável segregação entre a “boa” e a “má” blogosfera.

Escreveu Pacheco Pereira: “Vamos admitir, o que não me custa nada, porque até acho que é verdade, que mais de 90 por cento do que está na blogosfera é lixo. Temos em seguida que convir que também 90 por cento do que está nos quiosques é lixo, a julgar pelo nosso quiosque.”; mas, a finalizar, frisa “Tratar os blogues como um quiosque dos jornais indiferenciado é deitar fora o menino com a água do banho. Vamos em seguida falar dos 10 por cento, número optimista eu sei”.

Ferreira Fernandes acrescenta: “Os blogues portugueses, como qualquer lugar, são frequentáveis ou não, depende do que escolhemos”. E indica, de seguida, algumas escolhas, do “melhor” que a blogosfera tem: os textos sobre futebol de “maradona” (A Causa Foi Modificada); a bibliofilia do Almocreve das Petas; o “Assim Mesmo“, que “ensina” português; as “notícias” de Paulo Gorjão no Bloguitica; os textos de João Miranda no Blasfémias, de Rui Tavares no 5 Dias, de Pacheco Pereira no Abrupto, ou do “José”, na Grande Loja do Queijo Limiano.

1 comment 22 Dezembro, 2006

LOPES-GRAÇA - CD’S, “SITE” E “WEB RADIO”

Ainda no âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Fernando Lopes-Graça, a Antena 2 lançou uma caixa com 10 CD’s com peças do compositor, extraídas do arquivo da RDP, compreendendo ainda um documentário de António Cartaxo e uma entrevista radiofónica realizada por Igrejas Caeiro em 1957.

Entretanto, o Ministério da Cultura criou também um site, com uma “web radio“, em que é possível ouvir obras de Lopes-Graça.

Add comment 21 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XXIV)

A 28 de Outubro, Miguel Sousa Tavares apresentava a sua “defesa”, em crónica publicada no Expresso:

“Excepção feita ao correio electrónico e à consulta de «sites» informativos, a Internet interessa-me zero. Todo esse universo dos «chats» e dos blogues não apenas me é absolutamente estranho como ainda o acho, paradoxalmente, uma preocupante manifestação de um processo de dessocialização e de sedentarização das solidões para que o mundo de hoje parece caminhar. Saber que nesses ‘sítios’ imateriais é possível fazer praticamente tudo, desde arranjar parceiros amorosos até recrutar terroristas para a Al-Qaeda, não é, a meu ver, um progresso ou facilidade, mas uma espécie de impotência, de desistência de viver a vida como ela é.

Tenho lido muitas opiniões contrárias, de gente que acredita que os blogues e toda essa conversa «in absencia» são uma forma moderna de democracia de massas, directa e instantânea, como nunca houve: uma espécie de «speaker’s corner» planetário. Mas discordo: não penso que a qualidade da democracia se meça pela quantidade de envolvidos e, menos ainda, pela irresponsabilidade. Não há liberdade de expressão onde existe impunidade do discurso. E se no «speaker’s corner» fala quem quer, também é verdade que quem fala tem o rosto a descoberto, pode ser convidado pelos circunstantes a identificar-se e pode, sobretudo, ser confrontado e contraditado por estes – enquanto na maioria dos blogues o anonimato é regra, santo e senha.

Mas não há nada melhor para confirmar ou desmentir uma teoria do que experimentar-lhe os efeitos. No meu caso pessoal, as experiências que conheço têm sido eloquentes: por duas vezes me foram atribuídos na Net e postos a circular textos que não tinha escrito e cujo conteúdo repudiava veementemente; o mais longe que consegui desfazer a falsificação foi o círculo de amigos que me falaram no assunto. De outra vez, deram-me a conhecer a existência de um blogue onde um autor anónimo se dedicara a fazer a minha biografia, acrescentada posteriormente por toda uma série de contribuições igualmente anónimas: eram 27 páginas de conteúdo (!), mas bastou-me ler as duas primeiras para desligar, enojado com a capacidade de invenção, difamação grave e cobardia que aquilo revelava. Esta semana, enfim, estava-me reservada mais uma experiência do género.

Um qualquer tipo dera-se ao trabalho de pegar num romance meu, manipulá-lo devidamente (por exemplo, pegando num início de frase e acrescentando-lhe outro situado 12 páginas adiante), para afirmar, sem estremecer, que todo o meu livro era um plágio do outro, “uma fraude sem pudor”. Uma hora depois de este blogue ter nascido, exclusivamente dedicado a acusar-me de plágio, um jornal telefonava-me para casa a pedir um comentário à “acusação”. Primeiro, pensei que estavam a brincar, depois percebi que levavam a coisa a sério e tentei mostrar o absurdo daquilo: o meu livro era um romance histórico, em que os personagens principais eram todos ficcionados, assim como a história, o outro era um livro de história, um relato jornalístico do mandato do último vice-rei inglês da Índia, em que os personagens eram o Mountbatten, o Nehru, o Ghandi, o Jidah; o meu livro situava-se em 1905, em São Tomé, o outro em 1949, na Índia; o meu tratava da escravatura nas roças de cacau de São Tomé, a par de uma trama amorosa, o outro tratava da independência da Índia; enfim, como se perceberia, simplesmente, lendo-os, tanto a construção narrativa como a escrita eram obviamente diferentes, tratando-se de géneros literários totalmente diferentes. Mas o autor do blogue revelava-se um profissional da manipulação: ele pegava em excertos afastados entre si da versão inglesa do outro livro, colava-os como se fossem uma só frase, comparando-os então com outras frases minhas a que chamava “tradução” e que um jornal dizia serem “frases inteiras iguais”. Mas iguais eram apenas os factos nelas contidos: os dados biográficos de quatro marajás da Índia. Ora, como tentei explicar, qualquer pessoa percebe que um romance histórico ou um livro de história, quando chega aos factos reais, tem de recorrer a fontes, que são outros livros ou documentos preexistentes.

De outro modo, não os tendo vivido, ao autor só restaria inventá-los ou distorcê-los, para não ser considerado plagiador: eu deveria então ter trocado os nomes ou os dados biográficos dos marajás que convoquei, assim como os do senhor D. Carlos ou de outros personagens históricos que entram no meu romance. Em vez disso, limitei-me a fazer uma coisa que nem sequer é habitual neste género literário: identifiquei as fontes a que recorri, entre as quais o tal livro que o anónimo da Net me acusava de ter copiado - ou seja, deixei as pistas todas para ser ‘apanhado’. Porém, o meu Torquemada concluiu ao contrário: se eu citava 29 livros como elementos “de consulta do autor” e se ele, recorrendo apenas a um deles, encontrara semelhanças com duas páginas das 518 do meu livro, era caso para “esfregar as mãos de contentamento, partindo à descoberta de mais algumas pérolas da exploração do trabalho alheio”.

Infelizmente, ninguém se deu a esse trabalho ou menos até. Debalde, tentei explicar ao enxame de jornalistas que imediatamente me caiu em cima que o simples facto de darem eco àquele blogue anónimo, sem verificarem previamente o fundamento da acusação gravíssima que me era feita, equivalia a transformar uma mentira privada, ditada pelo despeito e inveja, numa calúnia produzida à vista de milhares. Com esta agravante decisiva: o único meio de que disponho para defender eficazmente a minha honra e o meu trabalho, que é o tribunal, está-me vedado, pois não sei de quem me queixar e quem fazer condenar como caluniador. Não sendo esta a regra, como poderá alguém, por exemplo, defender-se convincentemente de um blogue anónimo que o acuse de pedofilia, tráfico de drogas ou qualquer outra coisa abominável? Tentei explicar que, perante isto, não bastava reproduzirem a acusação e ouvirem a minha defesa. Era pelo menos necessário que lessem os dois livros e percebessem que tudo aquilo era absurdo e que a aposta deste manipulador anónimo era justamente a de que os jornalistas não se dessem a incómodos.

Foi tudo em vão, claro. Responderam-me que o outro livro não estava disponível em Portugal e que, “face à gravidade da acusação” (justamente…), não se podia ignorar o assunto, pois, como me explicou sabiamente um jornalista eufórico, “a bola de neve está a correr e é imparável”. E correu. E foi. Dos tablóides ao respeitável ‘Público’ – onde, confessando-me não ter conseguido obter o livro supostamente plagiado (e, se calhar, sem sequer ter lido o meu…), uma jornalista escreveu, preto no branco: “Há muitas ideias parecidas e frases praticamente iguais”. E, assim, com esta ligeireza, se suja a honra de uma pessoa e se enxovalham anos e anos a fio de trabalho, esforço e imaginação.

O que já sabia dos blogues confirmei: em grande parte, este é o paraíso do discurso impune, da cobardia mais desenvergonhada, da desforra dos medíocres e dessa tão velha e tão trágica doença portuguesa que é a inveja. Mas fiquei a saber, e não sabia, que os blogues, mesmo anónimos, são uma fonte de informação privilegiada e credível para o nosso jornalismo.”

Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 28/10/2006

Add comment 21 Dezembro, 2006

“7 MARAVILHAS DE PORTUGAL”

Decorrem em paralelo duas votações para eleição das “Novas 7 Maravilhas do Mundo” (votação à escala mundial), e das “7 Maravilhas de Portugal“, cujos resultados serão anunciados em Lisboa no próximo dia 07.07.07.

Em relação à votação nacional, começou-se pela compilação de uma lista de 793 monumentos nacionais, como tal classificados pelo IPPAR, tendo sido convidados 7 peritos para a selecção / nomeação de 77 monumentos.

Subsequentemente, um “Conselho de Notáveis” (composto por representantes de vários quadrantes sociais: arquitectos, historiadores, políticos, actores, sociólogos, engenheiros, empresários, gestores, artistas, jornalistas, economistas, cientistas, escritores, arqueólogos, professores, psicólogos, entre outros), escolheram - com base em critérios estabelecidos pelo painel de peritos, instituições e organismos que tutelam o património - os 21 monumentos finalistas.

A lista completa dos 21 finalistas compreende:

- Castelo de Almourol
- Castelo de Guimarães
- Castelo de Marvão
- Castelo de Óbidos
- Convento de Cristo
- Convento e Basílica de Mafra
- Fortaleza de Sagres
- Fortificações de Monsaraz
- Igreja de São Francisco
- Igreja e Torre dos Clérigos
- Mosteiro da Batalha
- Mosteiro de Alcobaça
- Mosteiro de Sta. Maria de Belém
- Paço Ducal de Vila Viçosa
- Paços da Universidade
- Palácio de Mateus
- Palácio Nacional da Pena
- Palácio Nacional de Queluz
- Ruínas de Conímbriga
- Templo Romano de Évora
- Torre de S. Vicente de Belém

Add comment 20 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XXIII)

A 13 de Outubro, a blogosfera associa-se à polémica a propósito da eleição dos “Grandes Portugueses”, proposta por programa televisivo da RTP – ver, por exemplo, entradas no Abrupto (nomeadamente a propósito da “omissão” inicial do nome de António de Oliveira Salazar) e Mas certamente que sim!.

Desde 16, a “Rivolução” do Teatro Rivoli (no Porto) - “Barricados no Rivoli” - também passou pela blogosfera, em blogue do jornal Público.

No mesmo dia, Fátima Rolo Duarte dava início ao f, world.

A partir de 19, Luís Carmelo lança mais uma iniciativa no Miniscente: “Blogues no “Retrovisor” - Extractos de posts que dão conta do olhar (prevenido ou desprevenido) do blogger sempre que contempla pelo retrovisor a paisagem da blogosfera.

No dia seguinte, dá-se o regresso do “Quase em Português”, de Lutz Brückelmann.

Ao mesmo tempo que é criado blogue (entretanto desactivado) que acusa Miguel Sousa Tavares de plágio, na sua obra “Equador”, que rapidamente seria “notícia” (também no “Correio da Manhã“, entre outros jornais, vindo mesmo - na sequência de carta de Miguel Sousa Tavares - a originar apreciação do Provedor dos Leitores do Público - também aqui e aqui):

“Miguel Sousa Tavares está a ser acusado por um blogger de plágio, alegando que o jornalista copiou parágrafos inteiros do livro «Cette Nuit la Liberté» de Dominique Lapierre e Larry Collins, na obra «Equador», um dos maiores sucessos de vendas em Portugal.

O blogue freedomtocopy.blogspot.com apresenta quatro exemplos de «pérolas de exploração de trabalho alheio».

Contactado pelo Diário de Notícias, António Lobato Faria, da Oficina do Livro (editora de Sousa Tavares), disse que esta «difamação cobarde e encapuzada» não resiste ao escrutínio das «supostas provas».

Se vier a dar a cara, o autor da «manipulação» será «imediatamente processado», garante.”

A 22 de Outubro, é criado o “Blogue do Não” - a propósito do referendo sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez.

Add comment 20 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XXII)

A 13 e 14 de Outubro decorre no Porto o 3º Encontro Nacional de Weblogs.

Destaco aqui a intervenção de José Luis Orihuela, “Porque é que os weblogs (não) vão acabar em 2006?” - concluída com 10 “dicas” para novos bloggers:

1. Começa a ler blogs
2. Experimenta várias ferramentas
3. Escolhe um tema, um blog disperso fracassa. Domina o tema e fornece muita informação sobre ele.
4. Toma em atenção a qualidade da escrita, não escrevas como uma “SMS”, um blog é comunicação pública.
5. Faz links para as fontes
6. Esquece as estatísticas e comentários
7. Espera o tempo suficiente para o promover. Só quando tiveres mais conteúdos interessantes é que merecerás um link.
8. Participa na Blogosfera, comenta o trabalho dos outros.
9. Lembra-te que o blog é público, por isso deves ter cuidado com a qualidade.
10. Diverte-te!

As comunicações desta reunião encontram-se disponíveis aqui.

Para saber mais sobre este evento, consultar os comentários de Rogério Santos no Indústrias Culturais e a entrada de Manuel Pinto no Jornalismo e Comunicação.

1 comment 19 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XXI)

A 3 de Outubro nasce o “Passado/Presente – A construção da memória no mundo contemporâneo” (entretanto também transferido para a plataforma WordPress), classificado pelos autores (Rui Bebiano, Miguel Cardina e Tiago Barbosa Ribeiro) como um “quase-blogue”, dedicado à reflexão em torno das relações entre história, memória e actualidade.

É então lançado o livro “Blogs e a Fragmentação do Espaço Público”, um estudo fundamental para compreender o papel e relevância da blogosfera em Portugal, da autoria de Catarina Rodrigues, co-organizadora do 2º Encontro de Weblogs (em Outubro de 2005, na Universidade da Beira Interior, na Covilhã). Numa edição de “Livros Labcom” (Laboratório de Comunicação On-line (http://www.labcom.ubi.pt), um espaço física e virtualmente afecto ao Departamento de Comunicação e Artes da Universidade da Beira Interior), este trabalho encontra-se disponível gratuitamente em versão digital (PDF):

As possibilidades permitidas pelos blogs colocam-nos perante um alargamento do espaço público, no âmbito da apresentação de diferentes pontos de vista sobre determinados assuntos. Simultaneamente, a comunicação é feita de forma cada vez mais segmentada e consequentemente fragmentada. A fragmentação referida neste livro manifesta-se sobretudo através da publicação individual permitida pelas potencialidades destas ferramentas comunicacionais e é justificada em cinco capítulos. A fragmentação do espaço público, o regresso de uma subjectividade opinativa, a relação entre blogues e jornalismo, a presença destas ferramentas nas mais diversas áreas e a emergência de novas identidades são as principais temáticas abordadas.”

A 10 de Outubro, numa iniciativa de Rui Cerdeira Branco, nasce um novo blogue temático, o Economia & Finanças… sobre economia e finanças.

Add comment 18 Dezembro, 2006

ANTÓNIO CÂMARA - “PRÉMIO PESSOA”

António Câmara, professor catedrático (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa) e empresário, pioneiro na investigação em informação geográfica e fundador da YDreams, empresa na área do software para multimédia, realidade virtual e computação móvel, foi galardoado com o “Prémio Pessoa” deste ano.

Conforme referido pelo júri, António Câmara foi distinguido como “uma das figuras mais representativas de uma nova área do conhecimento aplicado, incluindo as tecnologias da informação e a realidade virtual, que têm tido, nos últimos anos, uma expansão notável no nosso país”.

O Prémio Pessoa, no valor de 50 000 euros, é uma iniciativa conjunta da Unisys e do Expresso, cuja primeira edição data de 1987. É um prémio concedido anualmente à pessoa de nacionalidade portuguesa que durante esse período - e na sequência de uma actividade anterior - tiver sido protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do país.

Nas edições anteriores, foram premiados:

2005 – Luís Miguel Cintra (actor e encenador)
2004 – Mário Cláudio (escritor)
2003 – José Gomes Canotilho (constitucionalista)
2002 – Manuel Sobrinho Simões (investigador)
2001 – João Bénard da Costa (crítico e historiador de cinema)
2000 – Emmanuel Nunes (compositor)
1999 – Manuel Alegre (poeta) e José Manuel Rodrigues (fotógrafo)
1998 – Eduardo Souto de Moura (arquitecto)
1997 – José Cardoso Pires (escritor)
1996 – João Lobo Antunes (neurocirurgião)
1995 – Vasco Graça Moura (ensaísta)
1994 – Herberto Hélder (poeta)
1993 – Fernando Gil (filósofo)
1992 – Hannah e António Damásio (neurocientistas)
1991 – Cláudio Torres (arqueólogo)
1990 – Menez (pintora)
1989 – Maria João Pires (pianista)
1988 – António Ramos Rosa (poeta)
1987 – José Mattoso (historiador)

Add comment 17 Dezembro, 2006

FERNANDO LOPES-GRAÇA – 100 ANOS

Fernando Lopes-GraçaNo dia em que se comemora o centenário do nascimento de Fernando Lopes-Graça, é hoje inaugurado em Tomar o monumento evocativo do que foi um dos nomes maiores da cultura portuguesa do século XX, um “Grande Português“.

O programa de comemorações do dia de hoje compreende, entre outras, os seguintes eventos:

- Pelas 15h30, no antigo Cine-Esplanada, junto ao Estádio Municipal, inauguração do monumento a Fernando Lopes-Graça e ao seu amigo Fernando de Araújo Ferreira (”Nini Ferreira” – outra figura de relevo tomarense).

- A partir das 17 horas, no Cine-Teatro Paraíso, inauguração de uma exposição de trabalhos escolares, a pretexto da digressão pelas escolas do 1.º ciclo do ensino básico da exposição “De pequenino se fala do Graça”.

- De seguida, apresentação e lançamento de várias obras: (i) “A construção de uma identidade – Tomar na vida e obra de Lopes-Graça”, de António Sousa; (ii) reedição de uma das mais procuradas obras de Lopes-Graça, “Reflexões sobre a música”; (iii) “Fernando Lopes-Graça”, de Ricardo Cabrita, banda desenhada, cujo lançamento em livro deverá ocorrer a 1 de Março; (iv) partitura “Tomar”, com poemas de Nini Ferreira, musicados pelo compositor, lançada pela Canto Firme.

- A partir das 21h30, também no Cine-Teatro, decorre um grande concerto comemorativo, o ”Concerto do Centenário”, com o pianista Miguel Henriques e a Orquestra Clássica de Espinho, com destaque para a primeira audição do “Concerto para Piano e Orquestra n.º 2” de Fernando Lopes-Graça.

As comemorações do centenário de Lopes-Graça prolongar-se-ão com o “Prémio Lopes-Graça de Composição” (concurso aberto a obras para quatro vozes mistas sobre texto ou canção popular portuguesa, que deverão ser entregues até dia 2 de Janeiro de 2007), o qual será anunciado a 1 de Março e atribuído na Festa dos Tabuleiros, em Julho de 2007.

Prosseguirão ainda as obras de recuperação da casa onde nasceu o compositor, na qual será criada a “Casa Memória”.

Add comment 17 Dezembro, 2006

LIGA DOS CAMPEÕES / TAÇA UEFA - SORTEIO

Acabou de realizar-se, em Nyon, na Suíça, o sorteio das próximas eliminatórias da Liga dos Campeões e da Taça UEFA, conforme detalhado de seguida.

Liga dos Campeões - 1/8 Final
   FC Porto - Chelsea
   Celtic - AC Milan
   PSV Eindhoven - Arsenal
   Lille - Manchester United
   Roma - Lyon
   Barcelona - Liverpool
   Real Madrid - Bayern Munique
   Inter Milão - Valencia

Nesta eliminatória, os vencedores de cada um dos Grupos da fase anterior defrontam um dos 2º classificados.

Numa prova em que apenas subsistem equipas de grande tradição no futebol europeu, e de países “de topo” (4 de Inglaterra, 3 de Espanha, 3 de Itália, 2 de França, e 1 de Portugal, Alemanha, Holanda e Escócia), destaque para o encontro entre os dois últimos Campeões Europeus, Barcelona e Liverpool; para um aliciante FC Porto - Chelsea; e para outro embate entre grandes colossos do futebol europeu, R. Madrid e Bayern.


Taça UEFA - 1/16 Final
  Zulte Waregem - Newcastle
  Braga - Parma
  Lens - Panathinaikos
  B. Leverkusen - Blackburn
  Hapoel Tel-Aviv - Glasgow Rangers
  Livorno - Espanyol
  Feyenoord - Tottenham
  Fenerbahçe - AZ Alkmaar
  Werder Bremen - Ajax
  Spartak Moscovo - Celta de Vigo
  CSKA Moscovo - Macabbi Haifa
  AEK Atenas - P. St.-Germain
  Benfica - D. Bucuresti
  Steaua -Sevilla
  Shakhtar Donetsk - Nancy
  Bordeaux - Osasuna


Taça UEFA - 1/8 Final
  Zulte Waregem/Newcastle - Fenerbahçe/AZ Alkmaar
  CSKA Moscovo/Macabbi Haifa - Livorno/Espanyol
  Hapoel Tel-Aviv/Glasgow Rangers - Bordeaux/Osasuna
  Braga/Parma - Feyenoord/Tottenham
  Steaua/Sevilla - Shakhtar Donetsk/Nancy
  Lens/Panathinaikos - B. Leverkusen/Blackburn
  AEK Atenas/P. St.-Germain - Benfica/D. Bucuresti
  Spartak Moscovo/Celta de Vigo - Werder Bremen/Ajax

No que respeita aos representantes portugueses, o Benfica defronta o D. Bucuresti nos 1/16 Final, o que permite manter a expectativa de que possa avançar para os 1/8 Final, caso em que defrontaria o vencedor da eliminatória entre o AEK Atenas (anterior equipa de Fernando Santos) e o P. St.-Germain.

Quanto ao Braga, terá de superar uma difícil tarefa ante o Parma nos 1/16 Final, de forma a poder prosseguir para os 1/8 Final, em que defrontaria o vencedor da eliminatória entre o Feyenoord e o Tottenham.

Add comment 15 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XX)

O mês de Setembro é assinalado com uma nova iniciativa de Luís Carmelo, no Miniscente (desde 30 de Agosto), as “Mini-entrevistas” sobre a blogosfera.

A 3, é apresentado um ranking de blogues portugueses, o “Top blogs”, um exercício de ordenação ponderada dos blogues nacionais, organizado pelo blog PubADict.

Com base nesta análise, os blogues de maior notoriedade em Portugal seriam assim ordenados:

1. Blasfémias
2. Abrupto
3. Causa Nossa
4. O Insurgente
5. Rua da Judiaria
6. Blogotinha
7. Blogue dos Marretas
8. Gato Fedorento
9. A Arte da Fuga
10. Mar Salgado

No mesmo dia, o Tugir denuncia a presença de representantes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – consideradas pela União Europeia com um grupo terrorista), na Festa do Avante, criando um movimento de indignação.

Numa iniciativa inédita em Portugal, coincidindo com o lançamento do novo semanário, “SOL“, a 16 de Setembro, o site do jornal permite – para além de aceder à edição em papel –, a criação de uma rede de blogues, numa plataforma própria,  visando assim a formação de uma “comunidade virtual”.

A 17, Paulo Querido lança o primeiro anúncio em Portugal solicitandobloggers.

No mesmo dia, e na sequência do “Caderno de Verão”, nasce o “5 dias”, com a participação de Rui Tavares, António Figueira, Joana Amaral Dias, Ivan Nunes e Nuno Ramos de Almeida: “5 dias é uma nova experiência de comunicação via internet. Não é blogue colectivo, mas antes uma sucessão de blogues individuais e personalizados ou, melhor ainda, um portal de opinião e notícias com um editor diferente em cada dia da semana. Os editores são os que estão ali acima: de segunda a sexta poderão ser aqui encontrados não só os seus textos, mas também contribuições de terceiros escolhidas e enquadradas pelo respectivo editor.”

O dia seguinte marca o termo do Terceiro Anel, blogue dedicado ao “desporto-rei”.

A 20 de Setembro, os blogues são objecto de análise na revista “Focus”, conforme comentado no Tugir.

A 21 é anunciada a chegada de Pedro Arroja à blogosfera, via Blasfémias, gerando, desde logo, alargada polémica.

Add comment 15 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XIX)

Agosto traz a publicação, na revista “Psicologia Actual” de um dossier sobre a blogosfera, organizado por Catarina Campos e José Manuel Fonseca (Anarca Constipado), compreendendo os textos:

- “O porquê dos blogues” – Jorge Bacelar (“Animal”, do Blogue dos Marretas);
- “Teoria crítica da blogosfera” – “O Pornographo”;
- “Anatomia de um bloguer” – Gabriel Silva (Blasfémias);
- “A arte de blogar através dos tempos” – Filipe Nunes Vicente (Mar Salgado);
- “Babyblog” – Catarina Campos (100nada / O Meu Filho e Eu / Sociedade Anónima);
- “Engate e amor na blogosfera” – Sofia Vieira (Controversa Maresia / Passeai Flores / Sociedade Anónima);
- “Como criar um blogue” – Pedro Zany Caldeira; e
- “Blogodependência” – Pedro Zany Caldeira

E encerra com ampla discussão blogosférica a propósito da crítica de Eduardo Cintra Torres ao facto de a RTP não dar a “devida relevância” aos incêndios no Parque do Gerês (ver nomeadamente, entre muitos outros, A Esquina do Rio, o Adufe, Blogouve-se, Causa NossaContraFactos & Argumentos e French Kissin - também  aqui e aqui).

1 comment 14 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XVIII)

No dia 10 de Julho, Paulo Querido iniciava também a sua coluna “Web 2.0”, no Expressonline.

No mesmo dia, nascia o Nireblog, sistema multilingue de criação de blogues gratuitos, inicialmente com versões em Português, Espanhol e Basco. Cada língua tem a sua página autónoma, sendo possível seguir a actividade de todos os blogues.

Em 18 de Julho, José Pacheco Pereira anuncia a existência de um “falso Abrupto”, que faz notícia 2 dias depois; Paulo Querido daria algumas pistas sobre a questão.

Coincidindo com o seu 35º aniversário, a 27 de Julho, Pedro Boucherie Mendes colocava termo (tal como anunciado desde a sua criação) a “Aos 35”, com a entrada “35 coisas que aprendi em 35 anos”, de que aqui destaco alguns dos pontos:

1. O amor que temos aos nossos filhos, mesmo infinito, quase nunca nos satisfaz.
3. O sucesso e a felicidade dos nossos amigos é tão importante como o nosso.
8. Na verdade, as pessoas não querem que sejamos francos e directos.
9. Mas quando somos respeitam-nos infinitamente mais.
18. Poucos sabem o que fazer perante um caderno branco e uma caneta.
24. Não somos piores pessoas do que os outros.
25. Nem melhores
.

No final do mês de Julho, é apresentada no PubADdict uma “representação gráfica da blogosfera”.

Add comment 13 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XVII)

A 3 de Julho, a Visão lançava os blogues: “Visão7Sul” e “Visão7Norte”, com as correspondentes agendas culturais e de espectáculos. 

Na mesma altura, o Expresso apresentava também o “Caro leitor - O Blogue da Direcção do Expresso”.

Entretanto, a SIC lançara também uma rede de blogues para acompanhamento de temáticas tão diversas como a situação em Timor, o furacão Katrina, o conflito no Líbano, ou o 11 de Setembro (”Impressões”, por Luís Costa Ribas), ou as expedições de João Garcia ao Shisha Pangma e Kangchenjunga.

E, a 6, Luís Carmelo iniciava a publicação, também no Expresso, de “Blogues e meteoros”:

“Blogues e meteoros

De olho na blogoesfera

Escrevi há uma década o meu primeiro livro acerca dos temas da instantaneidade e da teoria da cultura. O título desse livro, Anjos e Meteoros, torna-se hoje no subtexto com que passo a baptizar estas crónicas.

Não há adaptações inocentes. Nem de um filme que adapta um romance (já vivi a experiência), nem de um nome que adapta uma tradição (por mais íntima que seja). Quando se adapta, repete-se uma respiração, um sabor, um aceno que nos povoa. Se nesse livro já distante, os anjos eram mediadores entre a ordem terrena e uma outra omnipresente e perfeita, já os blogues de hoje contracenam com a metáfora da velocidade – os meteoros – enquanto novos enunciados que estão a contribuir para alargar o espaço público contemporâneo na omnipresença da rede (e não só).

Quando um novo medium surge, é normal que haja um período inicial de adequação das linguagens à nova moldura comunicacional. Essa procura de sentido aconteceu, por exemplo, com a fotografia, com o cinema, com a rádio ou com a televisão.

Na fotografia, Disdéri codificou a pose, Nadar patenteou a fotografia aérea, os retratos fizeram furor nas classes médias, Ruskin sentiu-se esteticamente incomodado, Muybridge ensaiou o movimento e Salomon criou o fotojornalismo. No cinema, Méliès viveu a mais feérica das prestidigitações, enquanto os Lumière nem chegaram a acreditar no destino ficcional da imagem móvel. Guazzoni fez ressoar a tradição operática, Griffith celebrou a montagem, as séries de episódios fizeram brado e as muitas vanguardas entraram em cena após a Primeira Grande Guerra Mundial. A rádio demorou algum tempo para saber o que fazer a uma voz que estava e não estava, ao mesmo tempo, nos locais onde era escutada. A televisão inventou-se a falar devagar com locutoras fotogénicas que anunciavam uma faixa de programas para todo o serão. Um dia veio a cor, o vídeo e o digital. A televisão, às vezes, já não sabe se é televisão, mas continua a processar-se como se fosse, ela mesma, uma permanente metamorfose de tons.

Ainda que grande parte dos bloggers (passarei a utilizar a palavra “blogueador”) e dos críticos da blogosfera não tenham plena consciência do fenómeno, a verdade é que a blogosfera está a atravessar, neste preciso momento, o seu período histórico de procura, ou de adequação do uso das linguagens às características inovadoras do novo medium. Esta travessia pioneira é riquíssima e está excessivamente próxima da experiência para que possa ser ajuizada e examinada de um modo taxativo. Contudo, sinalizá-la, proceder a anatomias cruzadas, identificar tendências e entender os modos como está a criar impactos diversos na rede e no mundo off-line é uma tarefa, não apenas possível, quanto urgente.

É esse o desígnio e o desafio desta espécie de observatório da blogosfera.”

Luís Carmelo (prof. universitário e ensaísta)

Add comment 12 Dezembro, 2006

“OS MELHORES BLOGUES 2006″

Foram já anunciados os vencedores dos “Melhores Blogues 2006”, conforme eleição promovida pelo Geração Rasca, abrangendo as seguintes seis categorias:

- Melhor Blog Individual Feminino - Miss Pearls
- Melhor Blog Individual Masculino - Estado Civil
- Melhor Blog Colectivo - Blasfémias
- Melhor Blog Temático - Foram-se os Anéis
- Melhor Blog - Blasfémias
- Melhor Blogger - Francisco José Viegas (A Origem das Espécies)

P. S. O Passado/Presente tem, desde ontem, uma “nova casa”, também no WordPress.

Add comment 11 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XVI)

Fernanda Câncio começou por explicar, a título de curiosidade, porque escrevia os seus textos no blogue em minúsculas (por uma questão prática, de rapidez, e por que não gosta do “uso abusivo” de maiúsculas).

Defendeu também que, não obstante o imediatismo e a instantaneidade da publicação, sem o período reflexivo que caracteriza outras formas de escrita, tal não significa necessariamente que a escrita não seja “pensada” (mesmo quando falamos, temos a capacidade de pensar e continuar, em paralelo, a articular ideias!…) e, sobretudo, reafirmou também a sua discordância com Eduardo Prado Coelho quanto à alegada falta de qualidade da escrita na blogosfera.

Pelo contrário, Pedro Mexia e Fernanda Câncio concordaram que os blogues possibilitam uma criatividade e tipo de expressão necessariamente ausente dos jornais, em particular a caracterizada pelos “posts” curtos, ou “aforismos”, na expressão de Pedro Mexia. Falar-se-ia também na “construção de uma personalidade própria” – que se pretenderia ver reconhecida como “positiva” – como uma motivação de alguns “bloggers”.

A dado momento, da audiência pareceu surgir a preocupação de os blogues serem a “porta de entrada” dos jovens para a leitura, o que poderia ser entendido como algo eventualmente nefasto; nesse momento, o debate chegou mesmo a perder “um pouco o pé”, quando se começou a amalgamar blogues, com a Internet em geral e… até com referência aos “videogames”. Fernanda Câncio esclareceria que não antevia haver efeitos prejudiciais (antes pelo contrário) decorrentes da leitura de blogues, como actividade complementar a qualquer outro tipo de leituras.

Sobre a possibilidade de publicação em livro, Fernanda Câncio afasta-a; o estilo de escrita adoptado é diverso da escrita literária, para além da dificuldade que decorre do facto de, muitas vezes, os textos se encontrarem “datados”, por se tratar da referida escrita “reactiva” ao que foi escrito por outros, ou relativamente a acontecimentos da actualidade.

Noutra intervenção da assistência, foi sublinhado o papel inovador dos blogues como uma forma inédita de expressão escrita, com a plataforma técnica a proporcionar o intercâmbio quase instantâneo de ideias. E de como alguns autores portugueses poderiam ter beneficiado das potencialidades da ferramenta, citando-se, por exemplo, Vergílio Ferreira.

Este debate foi também notícia aqui.

O final do mês de Junho marca também o início da “debandada” da plataforma do weblog.com.pt, com a mudança do Adufe para uma nova plataforma (Adufe 3.0, no “Blogsome“).

Add comment 11 Dezembro, 2006

PORTUGAL CAMPEÃO EUROPEU CORTA-MATO (F)

A selecção nacional feminina de atletismo de Portugal sagrou-se Campeã da Europa, na modalidade de “corta-mato” - em prova disputada em Itália - por via das atletas Jessica Augusto (9ª), Anália Rosa (10ª), Leonor Carneiro (11ª) e Mónica Rosa (17ª), numa prova em que o pódio individual registou a seguinte composição: 1ª Tetyana Holovchenko (Ucrânia); 2ª Maria Konovalova (Rússia); 3ª  Olivera Jevtic (Sérvia). A Grã-Bretanha e a França ocuparam, em termos colectivos, a segunda e terceira posições.

Por seu lado, no sector masculino, Portugal, com uma selecção renovada, obteve duas medalhas de prata: a nível individual, por Fernando Silva, e em termos colectivos, apenas suplantado pela França por 1 ponto, e à frente da Espanha - graças também às boas prestações de Rui Pedro Silva (6º), Luís Feiteira (9º) e Ricardo Ribas (17º). Em termos individuais, o Campeão foi o britânico Mo Farah, tendo o espanhol Juan Carlos de la Ossa sido terceiro classificado.

Add comment 10 Dezembro, 2006

MEMÓRIA VIRTUAL - 1º MÊS NO “WORDPRESS”

Sitemeter Novembro 2006

5 800 visitantes, com cerca de 9 400 visitas… e um notório “efeito Abrupto“, de 27 a 30 de Novembro.

1 comment 10 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XV)

No final do mês, a 29, em mais uma edição de “Livros em Desassossego”, o debate – com a participação de Pedro Mexia, blogger, poeta e cronista (que já publicou um livro em que reúne uma selecção de textos publicados n’A Coluna Infame e no Dicionário do Diabo - “Fora do Mundo”); Eduardo Prado Coelho, professor universitário, cronista e crítico literário e Fernanda Câncio, blogger e jornalista, e com a moderação de Carlos Vaz Marques – versou o tema: Blogues e livros: cúmplices ou rivais?

Fernanda Câncio já antecipara não imaginar a transposição para livro dos textos que publica no blogue; Eduardo Prado Coelho, defendeu uma posição irredutível, de preservação da “pureza” do (seu) desconhecimento do fenómeno da blogosfera.

Eduardo Prado Coelho declarou não ser leitor de blogues, nem pretender vir a sê-lo, por uma razão simples: existem tantas alternativas disponíveis, que já nos tomam tanto tempo, que não haverá necessidade de estar a introduzir mais um elemento “estranho” nos hábitos de quotidiano (por exemplo, ver televisão entre as 20h e as 2 da manhã, ler o Expresso, Diário de Notícias e Público aos Sábados de manhã, …); o tempo disponível poderá ser aproveitado, com vantagem – defende o professor universitário, cronista e crítico literário –, nomeadamente com a leitura de obras de literatura.

Exposta amiúde a contradição pelo facto de, afirmando não ler blogues, parecer ter “opinião formada” sobre alguns deles, rechaçou tal asserção, alegando que o conhecimento que tem dos blogues deriva das citações publicadas no Diário de Notícias.

Com posições antagónicas e obviamente inconciliáveis em relação a Eduardo Prado Coelho, Pedro Mexia e Fernanda Câncio procuraram expor as “virtudes” da leitura de blogues.

Pedro Mexia começou por referir que a dicotomia blogues vs. jornais (ou “bloggers” vs. jornalistas) era uma falsa questão – pode colocar-se nos EUA, em que há “bloggers” que pretendem ser “alternativa” aos media tradicionais; em Portugal, não haverá nenhum blogue que se oriente pelos princípios éticos e deontológicos de um jornal… apesar de haver blogues sobre jornalismo e blogues de jornalistas.

O poeta e “blogger” perspectiva portanto os blogues mais como “cúmplices” dos livros, do que como “rivais”. Valoriza particularmente a possibilidade que vieram abrir da formação de comunidades de partilha de interesses e gostos literários, por exemplo, para além de terem dado a conhecer novos autores. Discordando claramente de Eduardo Prado Coelho, afirmou que, na blogosfera, se escreve bastante melhor que, em termos médios, nos jornais portugueses.

Sobre a transposição dos textos de blogues para livro, falou da dificuldade em “recontextualizar” o que, ao sair da plataforma técnica de edição de blogues (que beneficia dos “links”), fica algo descontextualizado ou “datado” pelo imediatismo dessa forma de escrita, muitas vezes reactiva a textos de outros “bloggers”.

(continua)

Add comment 8 Dezembro, 2006

BLOGOSFERA EM 2006 (XIV)

A 19 de Junho tem início o Caderno de Verão, “Uma experiência com os dias contados. Escrevem António Figueira, Ivan Nunes, Joana Amaral Dias e Nuno Ramos de Almeida“, activo durante… o Verão (até 22 de Setembro), vindo então a dar  lugar ao 5 dias.

No dia 22, Pacheco Pereira editava no Público a segunda parte de um artigo sobre o “estado da blogosfera”.

OS BLOGUES ANTES DOS BLOGUES

Tenho o fragmento no sangue.”
(Cioran)

“A escrita que se encontra hoje nos blogues é velha como o tempo, embora o tempo pregue partidas, transformando as coisas noutras muito diferentes. O tempo é aquilo a que hoje se chama os “suportes”, no caso da escrita na Rede, a forma dos blogues.

Repito, a tecnologia do software em que assentam os blogues tem um papel ao moldar a sua forma. Vimos no artigo anterior como ela valoriza o presente, presentificando a escrita, obrigando-a à actualidade. Agora podemos ver como ela acentua aspectos da escrita: favorece o texto contido, aquilo que na linguagem da blogosfera se chama o “post curto”. O “post curto” gera uma tensão sobre o espaço das palavras, acentua a utilização estética da frase, em combinação com o título e com outros elementos gráficos. O facto de os blogues poderem usar simultaneamente texto e imagens, sons e vídeo está a dar origem à primeira grande vaga de um novo tipo de textos, nascidos na Rede e para serem lidos na Rede.

Os blogues revelam e geram novas normas de leitura na Rede que são distintas dos livros, acentuando a não-linearidade da leitura. Esta segue não apenas a frase, mas as ligações, ganha em espessura ao deslocar-se entre as diferentes páginas associadas pelo hipertexto (mais em Hypertext). Move-se não apenas no texto, mas também pelas imagens e sons ligados ao texto, em detrimento da leitura sequencial, habitual no livro e nos jornais. A leitura num ecrã raras vezes anda para trás, tende a andar para o lado antes de andar para a frente. A escrita nos blogues é moldada por estas características físicas do novo texto electrónico e, no seu conjunto, está a ensinar a uma geração um novo cânone de leitura e escrita que poucos exploram conscientemente, mas que molda a todos.

Ora nem todo o tipo de texto, nem todos os conteúdos se prestam a esta nova forma que despedaça legibilidades antigas a favor de novas. No “post curto” a escrita vai desde a mera frase com uma ligação, ou seja, uma porta, um caminho que nos leva para longe daquela página, daquele ecrã até à entrada diarística, impressionista ou faceta, até ao mini-ensaio, pouco mais do que o aforismo. É uma escrita que favorece, comunicando quer com os títulos de jornais, quer com o aforismo, a utilização de mecanismos poéticos, mas também humorísticos e sarcásticos. Nesse sentido os blogues caem sob a crítica que Lukács fazia aos textos de Nietzsche - a de serem, pela sua forma, naturalmente irracionalistas, valorizando a metáfora, a sedução estética, em detrimento da argumentação.

Que textos têm esta qualidade de serem protoblogues? Toda a escrita moldada pelo tempo, ou pela “construção” da personagem (ou da obra) pelo tempo. Os diários, ou uma forma muito francesa de diários, os “cadernos”. Mas também alguma correspondência e ensaios. Textos que colocados em blogues parecem ser escritos para blogues encontram-se no Para Além do Bem e do Mal de Nietzsche, em anotações de Kafka, nos “propos” de Alain, nos diários de Morand, nos “cadernos” de Camus, Valery e Cioran. Noutros casos, o tempo e a história “partiram” os textos originais, dando-lhe essa qualidade de escrita de blogues, como acontece com os fragmentos dos pré-socráticos, restos de textos mais compridos, de tratados e de livros. E muito do que encontramos em dicionários de citações, frases que vivem por si próprias, são matéria-prima de blogues.

No plano gráfico, muitos “cadernos” de desenhos, a começar pelos desenhos de Leonardo da Vinci com anotações, muito dos moleskines de artistas, em que o esboço e o texto manuscrito se entrelaçam, alguma banda desenhada, alguns livros de viagens. A fotografia deu origem a fotoblogues, mas está longe de revelar as suas potencialidades na construção narrativa dos blogues, para onde transporta, em imagem, tudo o que valoriza o texto curto: a impressão, o fragmento da realidade, o “olhar” no tempo. No vídeo, o sketch, o pequeno filme caseiro do género dos “apanhados”, alguns filmes publicitários. O som é o menos explorado nos blogues, mas a sua utilização, por exemplo no Kottke.org como complemento de viagem - o som dos semáforos de Singapura, o ruído de um mercado, o barulho de uma fábrica -, acentua a fragmentação da narrativa ou da ilustração que está no âmago da escrita dos blogues.

Muito significativamente, todo este tipo de material é favorito na actividade de “cópia-colagem” que também a forma blogue e a Rede favorecem, apropriando-se cada um das citações, de textos e imagens que servem de reforço da sua identidade em linha. Nalgumas experiências com sucesso na blogosfera, diários foram colocados na Rede, como o de Samuel Pepys, que foi transformado num blogue, com o texto original e ligações, dando uma nova legibilidade ao texto original do século XVII.

Seria possível fazer o mesmo com muitos “cadernos” de Cioran, Camus e Valery, muito diferentes entre si, mas todos passando o teste do blogue. O facto de, no caso de Cioran, este não ter a intenção de os divulgar e inclusive ter pedido para que fossem destruídos, não retira aos seus textos a pulsão fragmentária que os aproxima do registo dos blogues. Aliás, Cioran, autor dos Silogismos da Amargura é um cultor de uma forma de escrita muito adaptada ao “post curto”.

Valery passava o teste e os seus cadernos ganhariam muito com o uso de hipertexto e ligações. Um aspecto fundamental, nos cadernos de Valery, é a sua utilização como instrumento para a construção da obra, como meio de treinar o pensamento, mas também de o desenvolver, experimentar, testar, deixando-o aparecer sem a responsabilidade do ensaio final, do livro a publicar. Valery usava os seus cadernos, que escreveu ininterruptamente (no final eram cerca de 261 com 28.000 páginas), como um instrumento para pensar, fazendo uso não só da escrita, mas também do desenho, e escrevendo sobre tudo: arte, filosofia, poesia, matemática. E escreveu sobre como o “eu”, como o “seu cogito” “funcionava”, matéria de blogues, como se sabe.

Camus é, de todos, quem, sem dúvidas, faria um blogue excepcional. A escrita, umas vezes mais tensa e outras mais solta, curta e imagética, intercalando fragmentos de diálogos, recordações de paisagens e de encontros, notas de leitura, revela o olhar de Camus sobre a sua geografia africana peculiar, a Argélia, e sobre os acontecimentos que está a viver. Os cadernos de Camus não só suportariam o formato do blogue, como ganhariam com a imagem na sua dimensão mediterrânica. Ganhariam também com o hipertexto, embora menos que Valery ou Cioran, que quase o exigem para serem devidamente lidos.

Em todos os casos que referi, a legibilidade dos textos na actualidade ganharia com a forma blogue, pela representação mais perfeita do tempo que a Rede permite. Os cadernos de Camus são os que melhor se lêem, enquanto os de Valery e de Cioran só são legíveis, na sua forma livro, em antologias depuradas. O de Cioran tem centenas de páginas de um grosso volume e os de Valery estendem-se por dez volumes na edição da Gallimard. Mesmo em Portugal foram os únicos divulgados numa edição barata e popular, de há muito esgotada.

Por tudo isto, valia a pena, e acabará com certeza por ser feito, o teste prático de colocar todas estas escritas na Rede usando modelos iguais ou próximos dos blogues. A blogosfera terá então ao seu lado Nietzsche, Valery, Camus, Cioran e tantos outros, como autores de blogues.”

A 23, comemorando o 3º aniversário do Blogouve-se, João Paulo Meneses disponibiliza os textos do blogue em forma de “livro virtual“.

Termina também o período de regresso do Desejo Casar (igualmente a 23 de Junho, ainda com “despedida” a 1 de Agosto), na mesma altura em que se consuma o início do fim do Devagares (a 25 de Junho - não obstante o “Fim de emissão” apenas a 17 de Setembro).

Add comment 7 Dezembro, 2006

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